A trágica e farsesca história de Marrocos na Copa



FOTO: AFP

O jogo Marrocos e Portugal, que abriu a segunda rodada do Grupo B da Copa do Mundo, alegoriza uma célebre frase de Karl Marx: “A história se repete, primeiro como tragédia e a segunda como farsa”
Tragédia pelas duas derrotas que representaram, de forma farsesca, o bom desempenho dos marroquinos. Roteiros semelhantes. Se não, vejamos:

Nos acréscimos, com um gol contra de Bouhhadouz, Marrocos perdeu do Irã. Cinco dias depois, foi derrotado também por 1 a 0, mas desta vez o carrasco foi um tal de Cristiano Ronaldo e o gol saiu nos primeiros atos da partida, aos quatro minutos. As duas derrotas magrebinas saíram em jogadas aéreas, de cabeça, embora as intenções dos autores fossem distintas. Contra iranianos e portugueses, a seleção comandada por Hervé Renard, técnico que parece ter saído de alguma película francesa, jogou bem e concluiu mal. Especialmente em jogadas pelo lado direito, com o robusto Amrabat, alimentado pelos ótimos Ziyech e Belhand. Este último, camisa 10, foi frustrado por uma defesa estupenda, com tintas Gordon Bankianas, de Rui Patrício, à distância um sósia do santista Vanderlei. Aqui mais uma das tantas repetições entre a estreia e o segundo jogo: diante do Irã, Marrocos esbarrou no goleiro Beiranvand, eleito o melhor em campo.

Portugal fez quatro gols em duas partidas. Autoria de Cristiano Ronaldo em todos, com assinaturas múltiplas, bem a seu modo de melhor finalizador do mundo – quiçá da história, como cogita mestre Tostão. Um de pênalti, um de falta, um de fora da área com “bola rolando” e outro de cabeça, Um recital! Contra espanhóis e iranianos, o jogo lusitano viveu às expensas do seu homem-gol e da firmeza do meio-campista William Carvalho na marcação e distribuição de bolas. Jogadores de boa técnica foram tímidos – Bernardo Silva e João Mario, especialmente. A favor do experiente João Moutinho, o cruzamento preciso no gol solitário. Gonçalo Guedes, companheiro de frente de Cristiano, foi novamente infeliz. Na estreia, deu um bom passe no lance que redundou na falha de De Gea, mas ceifou dois contra-ataques turbinados pelo companheiro. E diante de Marrocos, finalizou mal em assistência perfeita do camisa 7.

As duas derrotas fizeram de Marrocos a primeira seleção eliminada do Mundial. Pelo volume ofensivo, um pecado. Teve o azar de cair em um grupo dos mais intrincados. A pontaria descalibrada e a competência dos goleiros adversários foram fatais. Portugal é, no fim das contas, Cristiano Ronaldo. Nada mal, convenhamos. Mas coletivamente a impressão é de que a equipe pode funcionar melhor.



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