Em ‘casa’, Sérvia impõe sua técnica sobre a Costa Rica



Foto: AFP/FABRICE COFFRINI

De alguma forma, os sérvios se sentem em casa na Rússia. Os países são aliados históricos. Um aspecto sempre citado para ilustrar a estreita relação remete a um dos principais conflitos da história humana: a Primeira Guerra Mundial. Nos livros de história, o assassinato do arquiduque Francisco Fernadinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, por um nacionalista sérvio é considerado o marco zero do conflito. Ocorrido em 28 de junho de 1914, o atentado teve desdobramento catastrófico e, após a declaração de guerra, a Rússia logo colocou-se ao lado dos sérvios. Assim como nos conflitos que geraram a dissolução da Iugoslávia, a Sérvia teve o suporte russo. Isso para não falar de identidade cultural entre os países (para isso, sugiro a leitura de “Choque de Civilizações”, do cientista político Samuel Huntington)

O fato é que a Sérvia, como dito, de alguma forma se sente em casa na Rússia, sede da Copa do Mundo. E na estreia, foi quase o tempo todo senhora do jogo contra a Costa Rica. Futuros adversários do Brasil, em grupo que ainda tem a Suíça, fizeram uma partida curiosa. No primeiro tempo, os sérvios, com muitos jogadores técnicos e que jogam em importantes equipes da Europa, ficaram com a bola, enquanto os costarriquenhos só defendiam e buscavam uma estocada fatal. Especialmente pela direita, com o experiente Ivanovic (ex-Chelsea) e o técnico Tadic (do Southampton), os “mandantes” criaram as principais chances. O atacante Mitrovic teve uma ótima oportunidade, o que se repetiria no segundo tempo. Pecou na passada…

A Costa Rica deu poucos sinais do time que fez fama quatro anos atrás, no Brasil, conseguindo a façanha de liderar um grupo com três campeões do mundo (Uruguai, Itália e Inglaterra). Priorizando defender-se, só inverteu de postura com a Sérvia após o gol de falta de outro experiente jogador: Kolarov, ex-Manchester City e atualmente na Roma. As entradas de Campbell e Bolaños deram um rastro do toque da equipe de quatro anos atrás. Não foi o suficiente para chegar ao empate.

Na sua única participação em Mundiais como país independente, em 2010, a Sérvia, herdeira dos resultados da antiga Iugoslávia, caiu na primeira fase. Conseguiu a proeza de vencer a Alemanha, que seria terceira colocada, por 1 a 0, e perder para Gana e Austrália. Agora já tem os mesmos três pontos, porém fez a “lição de casa” e tem equipe com nomes mais potentes. Deve brigar com a Suíça por uma das vagas às oitavas, em confronto que acontecerá a na segunda rodada.



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