O Grêmio não enfeitiça os anseios de Tite



FOTO: Lucas Uebel / Grêmio

Na relação das 23 feras de Tite para a Copa do Mundo, tornada pública nesta segunda (14), duas foram as ausências mais lastimadas, as dos gremistas Arthur e Luan. Eles foram preteridos por Fred e Taison, ambos do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Ainda que a dupla possa constar do baú de espera oportunamente “secreto” – os 12 listados para eventuais substituições por lesão ou outro motivo -, o fato é que só jogarão a Copa excepcionalmente. Outro atleta do Grêmio com clamor de crítica e, quiçá, de público, foi chamado: Geromel. Apenas o zagueiro e os corintianos Cássio e Fagner atuam no Brasil entre os convocados. Todos defensores e que, a princípio, serão reservas no Mundial – asterisco para o lateral, pois a ausência de Daniel Alves deixa dúvidas sobre o titular.

Não restam incertezas sobre as imensas qualidades de Arthur e Luan. São dois dos responsáveis diretos pelo fato de o Grêmio ser a vedete do futebol brasileiro desde o ano passado, o time que mais dignifica a imagem histórica do jogo nacional. O volante deve aportar no Barcelona ano que vem, e o atacante, com sua fácil condução da bola e poder de decidir, foi o jogador mais festejado no título da Libertadores em 2017. Os predicados evidentes, porém, não bastaram para convencer Tite a acomodá-los no grupo. É possível que o técnico se arrependa no futuro e a narrativa da história traga interrogações do gênero: Como não estiveram na Rússia? As interpretações são vivas e degustam o sabor do tempo. É legítimo que se pergunte agora: pesou o fato de atuarem no Brasil? Reforça a pertinência da indagação, a escassez de atletas domésticos na lista e o fato de o três “moicanos” lembrados não terem protagonismo na Seleção.

Ao contrário dos gremistas, que atuam na nossa fuça o tempo inteiro, Fred e Taison estão em um campeonato escanteado por aqui, de segunda linha na Europa. Imagino que raros brasileiros acompanhem o Campeonato Ucraniano com assiduidade. Mas depõe a favor da dupla o bom desempenho na campanha do Shakhtar na Liga dos Campeões, o mais prestigioso campeonato de clubes do mundo, Enfrentaram Napoli e Manchester City, duas equipes associadas a um estilo de jogo fluido e envolvente. O time venceu os comandados de Guardiola em casa e eliminou os italianos na fase de grupos. Não é café pequeno em um futebol de ponta. O time de Manchester é o que tem mais representantes na Seleção, o que dá sinais – entre outros, mais complexos – da compatibilidade do pensamento de Tite com o do jogo desempenhado pelo campeão inglês. A posse de bola, encurtamento de espaços, movimentação, intensidade, versatilidade… São vários os elementos disponíveis. O olhar de Tite, como o próprio reforçou na coletiva do anúncio dos nomes, é dirigido essencialmente para o coletivo, um bom encaixe das individualidades no conjunto e, para usar termo que repetiu à exaustão, um “feeling” do momento do atleta.

Podemos tentar entender o todo e as mensagens que moram nas entrelinhas, embora seja natural o sentimento de frustração pelas ausências de quem vive nos encantando.



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