Quanto valem Messis e da Vincis?



FOTO: Divulgação/Barcelona

Nos próximos anos, se algum clube quiser repetir com Messi o que o PSG fez com Neymar terá que desembolsar em torno de R$ 2,7 bilhões (700 milhões de euros) – além de contar com a improvável concordância do jogador, é claro. Esse é o valor da multa rescisória constante no contrato renovado do argentino com o Barcelona, que agora vai até junho de 2021. A fábula paga pelos parisienses a Neymar, que assombrou o mundo, foi três vezes e meia menor que o montante estabelecido para Messi. Como estará com 34 anos ao fim do acordo, já em fase que deuses da bola costumam entrar na sala crepuscular, tudo caminha para que um dos maiores jogadores da história faça carreira em um único clube. Ou pode repetir Pelé, por exemplo, e aplicar seus últimos dribles e fazer seus últimos gols nos Estados Unidos.

Com 30 títulos conquistados pelo Barcelona, Messi é o maior vencedor da história do clube, pareado com outro craque, Iniesta. Nesses 13 anos como atleta profissional, acumulou tantos feitos coletivos e individuais que arrolá-los aqui seria atordoante para o leitor (há fartura de sites confiáveis na internet ofertando números a respeito). O fato é que a resultante dessa montanha de glórias já deu contribuição imensurável à fama do clube e à ourivesaria do futebol. Messi já está no panteão do espote!

Mas e se quisermos aquilatar de alguma maneira a grandeza de Messi? Bom, nesse caso, aproveitando eventos ‘quentes’, sugiro um lúdico paralelo com o mundo da arte dita requintada. Na mesma semana em que a renovação do jogador com o Barça foi celebrada, um comprador anônimo desembolsou valor recorde por uma obra de arte. O quadro “Salvator Mundi” (O salvador do mundo), de Leonardo da Vinci, foi arrebatado em leilão da Christie’s por 450 milhões de dólares – cerca de R$ 1,5 bilhão – e tornou-se o mais caro de todos os tempos, superando “Mulheres de Argel”, do espanhol Pablo Picasso . O comprador anônimo da pintura, que pertencia à coleção privada do russo Dmitry Rybolovlev (proprietário do Monaco, rival do PSG), desembolsou pouco mais de ‘meio Messi’ para passar a vida contemplando ou pavoneando em seus círculos íntimos a pintura do mestre renascentista. E aqui vai uma dica: se quiser elucubrar um pouco sobre o uso que o desconhecido poderá fazer do quadro, sugiro a ótima coluna de Helio Schwartzman publicada no último dia 17 na Folha de SP com o título ‘Um quadro vale R$ 1,5 bi?’

Não haverá leilão por Messi. Ele não é um salvador do mundo, nem um Cristo reencarnado, embora ‘corra o risco’ de receber tratamento equivalente pelos argentinos caso leve a seleção ao tricampeonato mundial na Rússia – talvez rivalizando com a igreja maradoniana em devotos. Mas o valor para tentar tomá-lo do Barcelona é o mais alto do mercado. O seu talento, e o de Da Vinci, são reconhecido e inestimáveis por amantes do futebol e das artes plásticas. Um leilão e um contrato só dão em vis mentais a dimensão que o imaginário e os apreciadores de arte não ousam fazê-lo.



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