Palmeiras x São Paulo: rivais contra o vexame



(FOTO: Marcello Zambrana/AGIF)

(FOTO: Marcello Zambrana/AGIF)

No domingo, Palmeiras e São Paulo farão um clássico de duas equipes atordoadas, tentando encontrar algum amparo para se encostar e tomar fôlego na reta final da temporada. Irão para o Choque-Rei, apelido do confronto, sob grande e crescente pressão, congruente com os descaminhos que os times tomaram. Estamos em agosto, com o ano rumando para seu último quadrimestre, e aos dois clubes restam objetivos modestos para os seus tamanhos. O panorama parece ser fruto da falta de convicção e planejamento, elementos que permeiam de maneira geral o ambiente do futebol no Brasil. Ao Palmeiras, restou lutar por uma vaga na Libertadores, enquanto o São Paulo tenta fugir do rebaixamento, maior das angústias para um grande clube. Embora olhem para regiões opostas da tabela, é possível traçar similaridades na trajetória de ambos que os levaram a frustrar as expectativas de seus torcedores.

Os rivais começaram o ano com mudança no comando técnico. O manual da obviedade reza: um novo trabalho precisa de tempo e paciência para ter chances de prosperar. Mas essa cartilha da mínima sensatez não tem vez em território onde a ânsia por resultados rápidos é senhora. Eduardo Baptista e Ceni eram, por razões e contextos diferentes, apostas. A saída de Cuca após o título brasileiro deixou uma lacuna no Palmeiras. O time terminou 2016 bem-sucedido, com cara definida por um treinador de preferências bem peculiares, e seria entregue a outro ainda atrás de afirmação. Eduardo foi tratado com desconfiança imediata em um ambiente que cultua técnicos como semideuses ou, então, seres vocacionados ao fracasso. A visão extremada é um incentivo ao uso da foice.

Ceni, por sua vez, foi tornado técnico mesmo sem experiência no cargo para, provavelmente, agradar a torcida. O maior ídolo de muitos tricolores, com a imagem vencedora ainda bastante fresca na memória, assumiu com boas ideias, foi as amoldando de acordo com a situação, mas, desesperada com dupla eliminação e um início ruim de Brasileiro, a diretoria desistiu do projeto que ela mesma encampou. Trocando em miúdos, as apostas foram “traídas” por quem as bancou para dar a corriqueira, e enganosa, resposta à política interna e à emoção das arquibancadas. Como podemos verificar, o desastre não cessou.

O outro ponto em comum vem da intersecção entre a mudança de técnicos e o tempo de montagem do elenco. O Palmeiras “gastou os tubos” no começo do ano. Ao time campeão brasileiro, que perdeu “apenas” Gabriel Jesus, chegou um batalhão de jogadores sob a chancela do profissional festejado por sua pericia para contratar: Alexandre Mattos. Eduardo Baptista tinha uma equipe encaixada e temperada com novos nomes – um deles, registre-se, era Felipe Mello, que entraria em embate com Cuca. Pouco tempo depois, como num passe de mágica, o elenco estaria nas mãos do treinador que saíra ao fim do ano anterior, que tinha, então, a base da sua antiga equipe, mas precisaria enxertar atletas que não foram de sua escolha. Capte o roteiro engenhoso e surreal.

Já o São Paulo, pior (!!!), começou o ano permitindo uma pequena diáspora de atletas – acontecimento que teve o conceito negativo transformado em positivo no palavrório de diretor Vinícius Pinotti: ‘O São Paulo é uma grande vitrine’. Ao ver a situação degenerar, buscou uma reposição de afogadilho e as contratações vieram aos montes. Tanto Ceni como seu sucessor, Dorival Júnior, foram recebendo novos atletas e precisando realocar ideias e escalações. O subproduto está no que se apresenta para domingo: na 22ª rodada do Brasileiro os times tentam ainda encontrar alguma identidade que os impeça de terminar o ano com o vexame estampado na testa.



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