Cristiano Ronaldo, uma máquina de obstinação



cristiano Ronaldo

FOTO: AFP

O epíteto mais adequado para Cristiano Ronaldo é ‘máquina’. É o jogador de futebol que mais se assemelha à ideia de um artefato não-humano fabricado por humanos com finalidades de altíssima produtividade. Uma espécie de robô de inteligência artificial elaborada a mimetizar o grau mais alto da capacidade atlética humana. Potência física e habilidade se transformam em coquetel ‘explosivo’ pela fome que o rapaz demonstra por obter resultados, colecionar números. CR7 é prosa enxuta e rascante, ao passo que em Messi prevalece a poesia – a comparação, que eu sei surrada, fica aqui neste texto de escanteio.

A reta final da Liga dos Campeões mostrou pela enésima vez como o português faz uso máximo de suas qualidades atléticas e técnicas. Os gols marcados nas quartas, contra Bayern, nas semifinais, contra o Atlético de Madrid, e na decisão diante da Juventus foram expressões reiteradas disso. Ligou a ignição na hora exata para assegurar mais um troféu de melhor do mundo. E, como se não bastasse, após temporada desgastante e vitoriosa, reafirma sua aparência maquinal na Copa das Confederações. Ainda que para Portugal represente muito, o torneio, em vias de extinção, poderia ser menosprezado pelo Gajo sem prejuízo a sua imagem e, obviamente, ao espaço na seleção. Qual o quê! Joga e dedica-se muito. Foi o que vimos nos jogos contra México e Rússia. Fez gol e sacrificou-se em ambas as partidas. Há quem vá dizer que as denúncias da promotoria espanhola contra si mexeram com seus brios. Não creio que esse seja o motor pelo que já vimos no passado.

Contra os donos da casa, nesta quarta, seu jogo teve casamento afinado com o de Bernardo Silva, reforço do Manchester City para a próxima temporada. Portugal tem um bom time, com uma geração que apresenta jogadores promissores, mas longe de equiparar-se ao Real. Quando com a camisa vermelha, precisa se doar mais, é o cerne da equipe. E, além de oferecer seu reconhecido virtuosismo, põe muito suor em campo. Como trata-se de um obstinado por resultados, é claro que sua disposição também tem vislumbres pessoal. Fartamente vitorioso pelo Real, quer também cerzir glórias por Portugal. Talvez, em certa medida, tenha até mais ganas por isso, já que feitos por Portugal lhe serão naturalmente atribuídos. Portugal, assim, se beneficia de sua máquina.



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