As lições do ‘aspirante’ Carille no senso comum



FOTO: Daniel Augusto Jr

O trabalho de Fábio Carille é, provavelmente, o melhor de um técnico neste primeiro semestre no futebol brasileiro. Quem antevisse isso no início do ano receberia epítetos como desatinado, ousado ou fanfarrão. A lógica pura tem suas manias de crença também, afinal. Como poderia um técnico debutando como efetivo em times profissionais em ambiente tão instável despontar desse jeito? Pois é, amigos, mas os fatos estão postos. Depois da saída de Tite, o Corinthians ficou atarantado, tamanho foi o efeito glorioso do gaúcho no clube. Sem norte, premido pelo tempo, recorreu a Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira. Depois de arrastar correntes, elevou Carille a “tampão”, mas não sem hesitação. Não era o nome preferido. No caminho das tormentas, Carille havia sido interino sem que a diretoria esboçasse convicção: “Aponta pra fé e rema!”. O contexto forçou a situação e o aspirante foi ganhando espaço com competência e tapas bem dados na face de mais um lugar-comum (são tantos…).

O título paulista, sem perder nenhum clássico, tirou Carille do estágio larval no universo do futebol profissional e lhe concedeu asas. Se para técnicos consagrados o resultado é a senha número um – é o ditame que predomina, com uma ou outra exceção -, é mais ainda para quem dá os primeiros passos. Ainda assim, havia a ideia disseminada de que o Corinthians entraria no Brasileirão como um candidato a miolo de tabela. Uma equipe de pouca inspiração ofensiva, que tinha como doutrina fundamental defender bem e vencer com pragmatismo, por “uma bola”. Aí veio a surpresa, Depois de repetir esse comportamento nos primeiros jogos, a equipe passou a ter mais volume, mudar um pouco seu, digamos, ethos. Contra Santos, Vasco e São Paulo teve um estilo mais insinuante, capaz de fazer jogadas ofensivas rápidas, com triangulações, envolvendo as zagas rivais.

Este segundo momento, creio, é o que torna o trabalho de Carille mais admirável. Não deitou em uma fórmula de sucesso que tinha muito potencial de perder o fôlego, ou incapaz de fazer o time brigar na ponta da principal competição. A percepção seminova de que o Corinthians pode sim disputar o título vem da metamorfose verificada nos últimos jogos. O campeonato ainda vai para a sétima rodada e os anos anteriores mostram que liderar nessa altura não é sinônimo de quase nada. Mas é razoável supor que essa evolução do Corinthians não vá ser passageira. O trabalho dá provas de consistência e Carille reiterou ter o condão de surpreender.



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