Luxa vive um longo crepúsculo dos deuses



luxemburgo

FOTO: divulgação

Nos primeiros dias de janeiro de 2005, Vanderlei Luxemburgo vivia seu sonho galáctico. Ainda degustava o título brasileiro pelo Santos, sua quinta conquista da competição pelo quarto clube diferente, quando estreou no comando do time mais badalado do mundo. Vivia o ápice de uma carreira recoberta de glórias, com muitos títulos domésticos e a fama de estrategista e domador de feras. Estava acostumado a guiar com sucesso equipes repletas de estrelas, como o Palmeiras da era Parmalat, o Corinthians com Marcelinho, Vampeta e cia, o Cruzeiro de Alex e o Santos do garoto Robinho. Chegava ao Real Madrid para dirigir uma torre de babel dourada, com Beckham, Zidane, Ronaldo, Roberto Carlos, Raúl… A estreia foi atípica e vertiginosa, no miúdo complemento de um jogo contra a Real Sociedad interrompido no mês anterior quando faltavam sete minutos por uma ameaça de bomba. O sonho de Luxa se desmancharia em menos de um ano, sem título, mas com a fama intacta. Retornaria ao Santos e, se lambia feridas da experiência frustrada, ainda gozava de muito prestígio.

Passados pouco mais de 12 anos da sua ‘movida madrileña’, Luxa tenta a duras penas mostrar que ainda pode ser vitorioso. Na última década, perambulou por diversos clubes brasileiros e fez uma incursão da fortuna na China sem nem triscar nas alturas. A coleção de trabalhos interrompidos, sem brilho, o desvalorizou. Nesta semana, foi apresentado no Sport e mostrou ganas de comprovar que ainda pode voar alto. É como se estivesse recomeçando, o que, em um caso como esse, traz desafios gigantescos. Primeiro porque depende do tamanho da expectativa. É impensável que alguém bastante vitorioso muito tempo atrás vá conseguir retomar o velho patamar. O ocaso é uma característica natural da vida, especialmente quando se exerce por décadas a mesma profissão. Obras-primas consagram e também atormentam É até uma sandice se cobrar de alguém que repita tanto tempo depois que faça o extraordinário quando já o fez. É mais realista imaginar que possa ter uns brilharecos, bons momentos, talvez conseguir uma ou outra coisa boa. Quando se queixa de que esquecem sua história, Luxemburgo tem uma reação irracional, mas compreensível. Sua história não foi esquecida, ela é exaltada, sempre citada como exitosa. O técnico confunde reconhecimento com expectativa. É legítimo que tente provar que ainda é um técnico de ponta, mas é demais esperar que os feitos do passado turvem a crítica do presente.

A transitoriedade é a característica mais marcante da vida. Luxa é mais um que tenta iludi-la. Todos somos assim. Irá conseguir? Acho difícil!



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