Zé e Oliveira merecem os vivas de admiração!



ze e oliveira

FOTOS: Cesar Greco (Palmeiras)/ Ivan Storti

Impressiona a longevidade futebolística de Zé Roberto e Ricardo Oliveira. Menos pelo fato de ainda estarem atuando profissionalmente – hoje há fartura de quarentões ou atletas próximos dessa faixa etária pelos gramados – e mais pela capacidade de ainda ofertarem coisas boas a seus times. Titulares, ambos foram protagonistas esta semana nas vitórias de Palmeiras e Santos pela Copa Libertadores. Zé, com o gol contra o Tucumán, tornou-se o mais velho a balançar a rede em um jogo da competição (42 anos e dez meses). Oliveira fez um na goleada santista sobre o Sporting Cristal, acumulando 12 gols pelo clube na história da disputa continental. A tradução dourada disso é estar a dois dos Meninos da Vila Robinho e Neymar e a quatro de ninguém menos que Pelé, o maior goleador do Peixe na Libertadores. É factível que se sagre o líder dessa lista, especialmente se o time avançar até o final e chegar ao quarto título. Números não dizem tudo, sabemos e devemos, na busca por aprofundamento, ressaltar. Pelé jogou menos partidas do torneio e é incomparável em qualquer quesito e contra qualquer um. Mas a possibilidade de atingir o cume de uma estatística em tão importante campeonato, e fazê-lo aos 37 anos, é para aplaudir.

Deve ser envaidecedor para um atleta chegar em tão alto nível no fim da vida profissional. Vestir a camisa de um grande clube, ser titular, ainda poder almejar glórias… É comum vermos jogadores encerrando a carreira frustrados porque o corpo agoniza e não colabora mais para um desempenho minimamente digno. Ainda ecoa a frase de Ronaldo, ao despedir-se no Corinthians: “Perdi para o meu corpo”. Ou então ficam perambulando por clubes menores como negação de que o fim chegou. Não cabe julgar, apenas admirar a raridade do que representam Zé e Oliveira. O atacante, registre-se, tem no time a companhia de outro “subversor do tempo”, o volante Renato.

Há também aqueles que deixam os campos quando parecem ainda ter fôlego para fazer coisas boas. No jargão futebolístico, é o “parar no auge”. Casos emblemáticos foram os de Raí, Zidane e Alex… É preciso muita fortaleza mental, suponho, até certo desapego, para tomar uma decisão nesse contexto. Pelé, contam, poderia tranquilamente ter jogado a Copa de 74. Com ele em campo, teria ocorrido a eliminação brasileira para a Laranja Mecânica na Alemanha? O ‘se’ perderá seu caráter condicionante apenas nos roteiros da imaginação, como em curta metragem que reescreveu 50 com Barbosa defendendo o chute de Ghiggia.

Os fenômenos Zé Roberto e Ricardo Oliveira são mais difíceis de ocorrer na elite do futebol europeu. A explicação está, provavelmente, no nível técnico e de competitividade que se verifica por lá. Terry e Totti são dois bons exemplos dessa dificuldade. O zagueiro despediu-se do Chelsea, onde é ídolo, praticamente sem jogar, aboletado no banco. Nas partidas finais, com o título ganho, atuou apenas por protocolo de exaltação, para ser reverenciado. Totti, idolatrado na Roma, dará adeus à carreira no fim de semana e tem cumprido semelhante ritual. Só é colocado em campo pelo técnico Luciano Spaletti nos acréscimos das partidas, como espécie de ritual solene para devoção. E, por fim, há os que vão para os ditos mercados alternativos, como aconteceu com Xavi e Pirlo. Dois gênios do jogo, homens de fino trato com a bola, que viraram espécies de professores da bola nos Estados Unidos.

Portanto, um viva a Zé e Oliveira! São expoentes do que é raro.



  • Santista

    O texto vinha bem até Terry e Toti, dois jogadores que, se não galgaram melhor posição em suas equipes, é porque sempre foram medíocres, se comparados a Zé Roberto e Ricardo Oliveira.
    Babação de ovo desnecessária, em cima de jogadores duvidosos e de cintura dura.

MaisRecentes

Guttman, uma bela e vitoriosa trajetória



Continue Lendo

Palmeiras x São Paulo: rivais contra o vexame



Continue Lendo

Neymar, entre a guilhotina e ‘la vie en rose’



Continue Lendo