Para que servem os títulos estaduais?



novo hamburgo

FOTO: Itamar Aguiar/Agencia Freelancer

No domingo, conheceremos os campeões estaduais Brasil afora. Então, cabe a pergunta: Para que servem esses torneios? A sua âncora principal, evidentemente, é a tradição. No início da prática do futebol no país, o verbo era por eles pronunciado antes de tudo. Já foram bastante almejados, conquistá-los era a glória do Oiapoque ao Chuí. É possível montar uma estante de biblioteca só com grandes histórias dos estaduais. A grandeza, porém, ficou para atrás. O avanço das tecnologias de comunicação e transporte, forças motrizes do que chamamos de globalização, afetou em cheio o futebol, assim como todas as áreas da vida. As rivalidades locais não perderam o viço, continuam sendo um dos motores da paixão, mas clubes grandes e suas torcidas ambicionam prioritariamente títulos maiores, nacionais e internacionais. E, se na campanha, baterem seus vizinhos, melhor ainda!

Delimitada essa realidade, vamos ao olhar prático de momento. Contextos definem a relevância de títulos. Se o Novo Hamburgo amealhar o Campeonato Gaúcho, algo bem plausível, o fato terá dimensão epopeica. O estadual terá o valor de um Mundial para os torcedores do clube do interior gaúcho. A desgastada metáfora de Davi x Golias estará ressurrecta pela enésima vez. E se a conquista for do Inter ela não será de todo desimportante. O ego ferido dos colorados pela queda à segunda divisão do Brasileiro receberá um afago. E ele será ainda mais prazeroso por representar o heptcampeonato, sedimentando hegemonia que aflige os rivais gremistas. Eis um exemplo de como o enfraquecimento dos estaduais convive com o paradoxal intensificar das rixas locais.

Em São Paulo, o Corinthians está perto de aumentar sua expressiva vantagem na liderança de conquistas – será o 28º contra 22 do segundo colocado Palmeiras. Mas a importância maior está para o técnico Carille, efetivado com relutância pela diretoria depois de anos trabalhando na base. Para o time, a aquisição de confiança para buscar uma temporada melhor que a projetada em meio a problemas políticos. Se a Ponte Preta conseguir a façanha de virar a situação, o que soa impossível após a lavada de domingo passada, será o maior título da sua história, o único de elite. Assim como para o Novo Hamburgo, o sabor será supremo.

Minas e Rio de Janeiro têm finais tradicionais. Para Atlético-MG, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense, o sentimento óbvio no caso de título será o da alegria de derrotar um rival histórico. Mas o que acontecer, deve-se suspeitar, terá desdobramento frágil para o restante da temporada. O título dará um tipo de crédito fugidio com os torcedores. Esse crédito irá se liquefazer rapidamente, para isso bastando na sequência eliminações na Libertadores (Galo ou Fla) e na Copa do Brasil (Cruzeiro ou Flu).

Aqui me restringi aos quatro estaduais mais importantes. Mas há outros tantos e basicamente o impacto dos títulos estará ligado ao esquema: superação de rival, afirmação de técnico e equipe ou glória de um clube menor. Ba-Vi, Atletiba, Chapecoense x Avaí, Sport x Salgueiro, Goiás x Vila Nova e mais outros tantos ocorrerão. Mas registre-se, mais uma vez: estamos em maio, quase meio da temporada, e não faz muito sentido essas competições acabarem apenas agora. Fossem mais curtas, acabassem antes, talvez até se valorizassem, pois testes impactantes não sobreviriam rapidamente. O título poderia ser degustado por mais tempo.



  • Bira Fogão

    Os Estaduais só deveriam ter menos importâncias do que o Campeonato Nacional. E numa distância bem curta!
    Das centenas de equívocos que nos levaram ao “futebol Alemanha 7 x 1”, “o fim dos Estaduais” foi o maior deles.

  • MALOQUEIRO !!!

    28 x22 parmera kkkk

  • Charles Ubiratan

    Falasse tudo, acho que deveria estar no mesmo nível de uma Copa do Brasil !

  • Rodrigo Quintana Viana

    para que serve? então me doem o dinheiro das cotas dos estaduais! Já que não serve pra porra nenhuma!

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