O protagonismo estrangeiro no futebol brasileiro



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FOTO: Rubens Chiri / saopaulofc

Este primeiro trimestre de temporada tem sido rico em mostrar o quanto os jogadores estrangeiros – quase em sua totalidade sul-americanos – têm adquirido protagonismo no futebol brasileiro. Na quarta, o peruano Cueva, o colombiano Mina e o argentino Lucho Gonzalez fizeram gols decisivos para suas equipes. No São Paulo, é inquestionável a relevância do peruano para a fluência do jogo. O poderio ofensivo do time está diretamente ligado à sua presença em campo, vide a goleada sofrida para o Palmeiras, quando foi desfalque. Seu gol contra o ABC eliminou a tensão para os são-paulinos. No segundo semestre do ano passado, essa dependência já se expressava. No mesmo 2016, Mina ganhou estofo no Alviverde, sendo praticamente unânime seu nome nas seleções do Campeonato Brasileiro feitas aos montes. O gol no último lance contra o Jorge Wilstermann, transformando catastrófico empate e catártica vitória na Libertadores, foi um ato vital do ótimo zagueiro que de vez em quando faz gols fundamentais. E o argentino do Furacão foi o autor do gol solitário da partida contra o San Lorenzo, na Argentina, que colocou os paranaenses em boa situação no grupo 4 do torneio continental.

Estrangeiros também estiveram entre as contratações mais importantes de São Paulo e Palmeiras. Pratto, Guerra e Borja foram figuras douradas na janela de transferências. O Flamengo tem incríveis sete atletas de fora no seu elenco. Não bastasse possuir um atacante da efetividade de Guerrero, contratou o bom lateral peruano Trauco, o fartamente conhecido por aqui Dario Conca e o colombiano Berrío, que, ao lado de Borja e Guerra, esteve entre os destaques do Atlético Nacional no título da última Libertadores. Todos os considerados grandes times têm atletas de outras nacionalidades entre seus titulares, com potencial de decidir. Podemos citar ainda De Arrascaeta e Ábila, no Cruzeiro, ou o goleiro Gatito Fernández, no Botafogo, herói na disputa de pênaltis contra o Olímpia, na fase prévia da Libertadores. O coração do Internacional na busca por voltar à elite nacional é o argentino D’Alessandro, ídolo da torcida. Dá para fazer uma (ótima) seleção com essa turma.

Essa pequena internacionalização do futebol doméstico parece responder à perda dos talentos locais. Os melhores, em início ou meio de carreira, rumam para Europa ocidental ou mercados ditos periféricos, e endinheirados, como China, Oriente Médio e leste europeu, e abre-se uma lacuna. Parte é preenchida pelos brasileiros mais veteranos, ainda com gás para queimar, pé de meia feito e desejo de retornar ao país. E a outra fração corresponde a esses estrangeiros. A maior capacidade econômica em relação aos vizinhos leva o Brasil a desempenhar papel que chineses, ucranianos, sauditas e outros exercem na relação com o próprio Brasil. Embora, registre-se, estes não deixem de fazer a mesma coisa com argentinos, colombianos, equatorianos e cia. É um fluxo curioso na globalização futebolística, quando a redução de danos provocada por uns se faz nas costas de outros. Tudo leva a crer que os estrangeiros serão senhores das manchetes por muito tempo na “Terra Brasilis”.



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