Bandeira branca, a violência venceu!



Neste sábado, em Itaquera, apenas torcedores do mandante Corinthians poderão acompanhar o clássico contra o Santos. A torcida única nos duelos entre grandes clubes é uma norma há quase um ano no estado. Foi a medida adotada pelas autoridades como resposta a episódios de violência. Uma resposta que é como a capitulação do poder público à barbárie de uns poucos. Aproveitando o gancho do Carnaval, que teve centenas de blocos desfilando pelas capitais do país sem registros de grandes tumultos, poderíamos dar às autoridades a voz paródica na marchinha “Bandeira branca”. Não podendo mais contra os fora-da-lei travestidos de torcedores, erguem a bandeira da rendição. Ao contrário da popular canção, a vitória não é do amor, e sim da guerra. Muitos pagam pela brutalidade de alguns porque os responsáveis por assegurar a ordem admitem, sem o dizer, que são incapazes de fazê-lo.

O mesmo é agora aplicado no Rio de Janeiro, como pastiche da rendição paulista. É o lavar as mãos coletivo dos Pôncios Pilatos que governam. A final da Taça Guanabara, pelo visto, terá só torcedores do Fluminense. Emblemático que no país em que Fla-Flu transformou-se em etiqueta das radicalizações nos debates o clássico mais charmoso (assim reza a tradição) ganhe a tarja da censura à festa.

Há quem ressalte que, antes da entrada em vigor do veto, nos clássicos paulistas a pequena cota de torcedores visitantes era preenchida quase em sua totalidade por uniformizados, integrantes das associações comumente envolvidas nos episódios de violência. Essa constatação, porém, em vez de avalizar a proibição apenas escancara como a prostração de quem comanda diante dos arruaceiros é sistêmica. O torcedor comum não pode ir a clássicos de seu time fora de casa porque os ingressos estão “cartelizados”. E não pode ter a expectativa de que isso mude porque, convocado a brecar a violência de membros desses cartéis, o estado proibe geral e abdica de fazer o controle por outros meios, seu dever legal. O cidadão que não tem nada a ver com isso paga o preço da inépcia de cartolas e governantes. E lembremos que o fetiche por proibir como solução é norma em São Paulo há tempos, como a interdição de instrumentos musicais e bandeiras nos estádios demonstra.

É claro que soluções para problemas complexos não vêm em papel de pão. O proibitivismo é o caminho mais confortável, e nele encontram-se as placas apontando o destino: falência.



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