Rogério Ceni prefere o CT à praia



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FOTO: Érico Leonan/saopaulofc.net

Nos seus primeiros atos e palavras como técnico do São Paulo, Rogério Ceni mostrou não ser adepto da máxima Renato Gauchesca de que “quem não precisa aprender vai à praia”. Pelo contrário! O ex-goleiro, consagrado, ídolo absoluto e venerado pela torcida, está faminto por aprendizado, quer se desenvolver no novo ofício. O conhecimento acumulado como jogador não é garantia de nada, é insuficiente para que possa exercer a função de treinador e nela tenha êxito. Se vai pegar um sol tomando uma cerveja gelada no litoral paulista eu não sei, desconheço seus hábitos em momentos de lazer, mas o fato é que no primeiro dia como treinador “internou-se“ no CT, como contou em entrevista nesta quinta, para dar início ao desafio.

Ceni tem exposto como espera montar a equipe, os conceitos que pretende inocular nos jogadores e a forma como enxerga o futebol. Elegeu dois profissionais estrangeiros para trabalharem ao seu lado, para aprender com eles, cada qual com sua bagagem e especificidade. Dá sinais de que sua ambição não se restringe a ter ou não resultados com o clube em que foi tão vitorioso como jogador, mas conseguir implantar as ideias que comunga.

Na coletiva que deu ao lado do inglês Michael Bale, seu auxiliar de campo, e o francês Charles Hembert, supervisor de futebol, situou o desempenho como algo até mais importante que os resultados. A essência da sua ideia reproduz o que Guardiola, por exemplo, vira e mexe apregoa: a produção do time é uma resposta mais consistente que o resultado em si. Ela faz acreditar que resultados virão, um alimenta o outro. Como jogador, Rogério sempre quis vencer. Como técnico, também o quererá, é lógico. Mas deseja trilhar o caminho vitorioso com a construção de um trabalho, de uma filosofia, em que possa ter a realização de ver princípios em que acredita sendo executados. Não à toa, pediu que a análise das partidas não fique restrita ao placar, que se considere o todo.

Está nítido que Ceni não quer ser um técnico medíocre. Leia-se aqui o termo na sua acepção pura: na média, regular, nada mais que isso. Quer se destacar. Para ele, não interessa pular de clube em clube, ganhar uma competição ou outra (um mata-mata, quem sabe!!!), ter êxitos esporádicos e ir se alimentando das glórias da época de jogador. Sua intenção é ser bom como treinador. As explicações que dá para cada aspecto do jogo e do que pretende botam isso a nu. O estágio que fez com Sampaoli e o fato de ter convocado para sua comissão técnica profissionais com talentos para cada função deixam isso evidente. Nos seus 22 anos como atleta profissional, Ceni viu o futebol se transformar. Debuta como técnico emitindo sinais de que esteve atento e soube acompanhar essa transformação.



  • Rob_Steinman

    Excelente artigo, parabéns Deus te abençoe!

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