Sonho de uma noite de fim de outono no Japão



FOTO: AFP

Aos 42 minutos do primeiro tempo, o gol de Shibasaki acendeu uma fagulha de esperança. Aos 6 do segundo, o mesmo Shibasaki fez da fagulha um lume. De repente, o campeão japonês, representante do país-sede, poderia derrubar o poderoso Real Madrid e dar à Ásia um inédito título. No fim, a lógica prevaleceria e os espanhóis conquistariam o troféu pela quinta vez, isolando-se como os maiorais na história.

Além da virada, houve outros instantes em que o impossível esboçou viabilidade. A refugada do árbitro de Zâmbia de expulsar Sérgio Ramos (confundiu o autor e a gravidade da falta) teria aberto outra perspectiva. No último lance do tempo regulamentar, Endo finalizou bisonhamente em chance clara. Houve ainda a cabeçada na trave de Suzuki, logo após o terceiro gol do Real, que igualaria as coisas na prorrogação…

O fato é que desde 2012, quando o Corinthians venceu o Chelsea, um europeu não sofria tanto. Bayern, diante do Raja Casablanca, o mesmo Real, contra o San Lorenzo, e Barcelona, ante o River Plate, levaram com tranquilidade, sem tomar gol.

Em muitos momentos, o jogo do Real pareceu encarnar um indisfarçável desprezo dos europeus pelo Mundial. É verdade que nem sempre é assim, vide o que fez o Barcelona contra o Santos, em 2011, em atuação classificada por Guardiola como a melhor do time sob seu comando. Mas o comportamento do Real foi de equipe convicta de vencer quando quer. Especialmente no primeiro tempo, quando a apatia foi a regra. Cristiano Ronaldo estava apagado. Essa postura colaborou para que a disputa existisse. O português, que cobrou penalidade com a exatidão que lhe é peculiar, foi o artilheiro implacável na prorrogação. Contou com bela assistência de Benzema, o mais atuante, e erro de um chute de Kross.

O Kashima esteve perto de vencer porque o futebol é o esporte em que a zebra se sente à vontade. Mas não passou de sonho de uma noite de fim de outono no Japão!



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