Os três anos nada sabáticos de Oswaldo de Oliveira



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FOTO: Daniel Augusto Jr./Agencia Corinthians

Oswaldo de Oliveira foi demitido nesta quinta do quarto clube em três anos. Antes do Corinthians, Santos (2014), Palmeiras e Flamengo (ambos em 2015) dispensaram o técnico. Nesse triênio, também houve o Sport, mas no caso dos pernambucanos foi Oswaldo quem pediu as contas, justamente para assumir o Corinthians. O trabalho no Parque São Jorge durou ínfimos dois meses. Pegou a equipe em reta final de temporada e com uma crise danada por razões que extrapolam o campo. Um combo que fazia do insucesso um destino mais provável que o sucesso. Ainda assim, depois de tantas frustrações e em contexto minado, aceitou o risco de aumentar a impressão – sempre mais potente que a realidade – de que sua capacidade de vencer ficou no passado. Quando da sua contratação por escolha individual do presidente Roberto de Andrade, as enquetes, que se não tem valor científico ao menos dão ideia da temperatura da arquibancada, mostravam rejeição ao seu nome pelos corintianos . É de se supor que essa impopularidade se devesse ao seu frenético vaivém recente. Trabalhos inconclusos e secundados por outros trabalhos inconclusos. O filtro da crítica fica prejudicado e quem paga, naturalmente, é o próprio treinador.

No ano passado, Modesto Roma havia escolhido Oswaldo para tentar resgatar o Santos da zona de rebaixamento do Brasileirão. O Conselho de Gestão, órgão com poder de veto, se opôs, como se fosse um anátema, ignorando currículo e os bons momentos do time sob o seu comando no ano anterior. O nome escolhido seria o de Dorival Júnior, que também vinha de uma coletânea de fracassos. No momento, ele é o técnico mais longevo entre clubes da Série A e conseguiu inverter a imagem negativa com um trabalho consistente.

Melhor técnico brasileiro atual, Tite consagrou a ideia do tempo sabático. Depois de uma era fartamente vencedora no Corinthians, com títulos em todos os níveis (Paulista, Brasileiro, Libertadores e Mundial), optou por uma pausa. Passou 2014 viajando para estudar, se aperfeiçoar e, convenhamos, desfrutar da fama gerada pelas glórias recentes. Humano, demasiado humano. Depois, reassumiu o Corinthians, abiscoitou mais um título brasileiro e foi conduzido quase por aclamação para a Seleção Brasileira. O ano “ocioso” gerou expectativa e impediu que sua imagem corresse risco com um desafio emendado aos anos de sucesso no Corinthians. Medida parecida tomou sabiamente Roger. Em início de carreira como técnico, o ex-jogador deixou boa impressão no seu debute no Grêmio. E não quis assumir outro clube de imediato, apesar do grande assédio. Resolveu esperar a nova temporada e chega ao Galo bem cotado. Como podemos ver, a dosagem pode ser saudável.



  • Michel Bossone

    Não tenho pena… Na hora de deixar o Sport no meio do campeonato, não pensou duas vezes.

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