Com derrotas inexplicáveis e filosofia vencedora, Santos é a última ameaça ao Palmeiras



FOTOS: Guilherme Dionizio/Photo Press

A duas rodadas do fim do Brasileirão, o Santos é o único que ainda tem um fiapo de chances de tirar o título do Palmeiras. Durante o campeonato, pouco se falou da equipe de Dorival Júnior. E olha que a condição na tabela não é exatamente uma novidade. O Peixe entrou na 19ª rodada dependendo apenas de uma vitória com o já lanterna América para ser o campeão simbólico do turno (que dá o troféu Osmar Santos, oferecido por este LANCE!). Ou seja, na metade do campeonato estava entre os potenciais candidatos ao troféu. E, incrível, perdeu por 1 a 0, no Independência. Talvez esteja justamente nesse resultado uma explicação para que público e crítica em geral dessem pouca pelota à equipe de Dorival Júnior: a capacidade de se complicar com os mais frágeis. O Santos perdeu 14 pontos para equipes que estão na zona do rebaixamento – duas derrotas para o Inter, uma derrota e um empate com o Figueirense e a derrota para o América. Isso para não falar do empate com o reservas do Grêmio na Vila Belmiro. É notável, porém, que mesmo com esse desperdício todo o time ainda possa sonhar remotamente com o troféu, condição que o Flamengo, tão exaltado em alguns momentos, e o Galo, com seu poderoso elenco, não gozam mais.

Se os números justificam certo desdém, o futebol não deveria. Apesar do retrospecto ridículo com os times da rabeira, o Santos teve boas, ou até grandes, atuações com adversários graúdos, como na goleada por 3 a 0 sobre o Atlético-MG e nos dois confrontos contra o líder (empate no Allianz e vitória na Vila). No Pacaembu, fez exibições dignas de nota como mandante contra São Paulo, Botafogo e Santa Cruz, marcando três gols em cada um dos confrontos. E isso se deve à filosofia de jogo que Dorival conseguiu implantar. O técnico, que chegou para a segunda passagem pelo Santos sob olhares desconfiados – e com razão pelos trabalhos precedentes -, fez o Santos gostar da bola. Um modelo de jogo que em alguns momento foi erradamente confundido com apatia.

Cansei de ler, especialmente por parte de torcedores, que falta gana à equipe, que é um time, digamos assim, blasé. Não compartilho dessa percepção. Mesmo em situações desfavoráveis, quase sempre mantém a troca de passes, com movimentação frequente, tentando achar brechas. Contra a Ponte Preta, na quente manhã de domingo de Campinas, já no segundo tempo, o time perdia e passou a encurralar o adversário dessa maneira. Com uma paciência impressionante para quem estava atrás do placar. Deu certo! Fez dois gols e saiu com a vitória. Contra o Figueirense, uma das derrapadas fatais citadas acima, deu errado. O time foi surpreendido com um gol de pênalti de Rafael Moura no início do segundo tempo, usou do mesmo estratagema, mas esbarrou em inspirada jornada do goleiro Gatito Fernández. Coisas do futebol!

O excesso de pontos jogados no lixo contra adversários fracos fez esquecer de vitórias que nos últimos anos seriam quase impensáveis. Em 2015, o Peixe teve arrancada após Dorival assumir limitada ao desempenho na Vila. O time conquistou apenas uma vitória fora, contra o Cruzeiro. Nesta edição, os triunfos fora de casa foram comuns. São sete vitórias como visitante, apenas duas a menos que o líder. Chapecoense e Botafogo estão entre os melhores do segundo turno, com apenas cinco derrotas, e ambos foram superados pelo visitante Santos. Nas duas partidas, o mesmo roteiro. O time abriu o placar bem no começo e administrou o resultado.

O Santos vive delicada situação financeira. A ponto de o presidente dizer que não entra em disputa por jogador com outros clubes e Dorival afirmar abertamente que é preciso ir atrás de jogadores que o Palmeiras não queira. O time tem uma das piores médias de público da competição e vê rivais encherem as burras com suas novas arenas. Com essa adversidade, Dorival fez um time bastante competitivo e com estilo de jogo bem definido. O Santos já está na fase de grupos da Libertadores e retornará à competição após quatro anos. O torcedor tem mais é que comemorar.



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