Rei Méssidas e o banho de ouro



messi

FOTO: EITAN ABRAMOVICH / AFP

Na última terça, Messi deu mais uma prova de que o talento extraordinário é um capital precioso. A Argentina entrou em campo em apuros, fora não só da zona de classificação para a Copa do Mundo como até mesmo abaixo da quinta posição, que leva seu possuidor à repescagem contra uma seleção asiática. Oito dias após marcar seu 500º gol com a camisa do Barcelona, o camisa 10 teve uma noite (já foram tantas!) de divindade da bola. Logo no começo, fez um golaço de falta, com a bola tomando uma curva de obediência ao comando de um tutor. Pouco depois, deu um cruzamento em modo cavadinha, tendo como destinatário o atacante Lucas Pratto. Com esses dois lances mágicos, Messi fez uso de sua técnica especial para tirar toneladas das costas de jogadores e técnico. Foi um momento de craque-filantropo, aspergindo o sumo de seus dotes como bênção para os companheiros.

Não parou por aí. Nos minutos finais da partida, em uma jogada que parecia morta, Messi mesclou garra e confiança, deu um pique tresloucado, roubou a bola na lateral da defesa colombiana e a cedeu gentilmente para Di Maria fazer do triunfo urgente uma goleada balsâmica.

A exibição de gala veio na rodada seguinte à derrota para o Brasil, pelos mesmos 3 a 0. Na ocasião, ainda no Mineirão, Messi declarou que a Argentina vivia uma situação de “m…”. Então, no jogo seguinte, o craque deu uma de rei Midas, aquele da mitologia grega que transformava tudo que tocava em ouro. A situação de m… foi banhada de dourado graças à qualidade individual de um jogador que, mesmo ainda em atividade, já está entre os maiores de todos os tempos.

Com um sistema defensivo frágil, dependente da multiplicação de Mascherano em campo, e desorganizada sob o comando de Bauza, a Argentina só bota medo nos adversários pelo privilégio de contar com o melhor jogador em atividade no mundo. Por outro lado, essa condição tem seus efeitos emocionais em Messi. Ele pode escrever sozinho o roteiro de uma vitória, como fez contra a Colômbia, ou sofrer um abalo forte como o percebido na final da última Copa América, quando da derrota para a Chile. Ele perdeu pênalti, viu escapar a terceira chance consecutiva de obter um troféu e teve o rompante de dar um falso adeus à camisa alviceleste. A sua capacidade maradoniana e a gigante expectativa que ela gera entre os argentinos, carentes de glórias desde 93, podem gerar esse efeito.

Há de se notar que Messi mudou de postura nos últimos tempos. De calado, introspectivo, passou a dar a cara e sinalizar o quanto tem vontade de ser campeão pelo seu país. O fato é que na terça recolocou a Argentina no rumo nas eliminatórias.



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