A gente pode não querer só resultado



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FOTO: Vinnicius Silva/Raw Image

Marcelo Oliveira e Muricy Ramalho são dois técnicos que oferecem, sem intenção, um bom e infindável debate filosófico-futebolístico. Estão entre os mais bem-sucedidos de tempos recentes no Brasil. Mas, ao contrário de Tite, outro membro do seleto grupo, despertam críticas na mesma proporção dos elogios que atraem. A fileira de títulos e decisões que protagonizaram deram a eles uma potência evidente, mas o desempenho de suas equipes os fez ter telhado de vidro.

A dicotomia de ideias, que, não deveriam, mas estão sempre a excluir uma à outra, não são novas por aqui. É resiliente o debate futebol de resultado versus jogar bonito pós-desastre do Sarriá, em 82. E ele se arrasta para os dias de hoje, tendo adquirido uma raiz portentosa com a taça de 94. A eliminação em um jogo de competição curta levou a conclusões extremadas, sem nuances. Dunga cansou de bufar em entrevistas que os vencedores é que deveriam ser exaltados e ponto final. Sem brechas para senões, todavias e contudos. A crista do triunfo é inquebrantável se o interlocutor não estiver a fim de ir além, capitular ao primeiro disparo de conquistas. É uma escolha que, a meu ver, tem alto poder destrutivo. Se não podemos questionar quem vence, estamos em estado de negação ao que vemos, caminhando para a mediocridade. No fim, pode desaguar num 7 a 1, que tal? Vale especular, por que não?

Voltando a Marcelo e Muricy. Se chegaram ao topo tantas vezes é porque têm méritos. Ninguém ganha por acaso, ainda mais várias vezes. Mas isso pode ser devido a fatores mais extracampo que dentro dele. O manejo do grupo, o bom trato emocional, a confiança que transmitem, etc… O futebol que as equipes desenvolvem pode não agradar e os que dizem isso não deveriam ser ironizados por outros com o escudo dos resultados para não incorremos no citado mais acima, no esvaziamento do debate.

Vejam que Muricy levou o Santos ao título da Libertadores após mais de quatro décadas. O clube só havia conquistado o torneio na era Pelé. O dado retumbante não impediu que, no ano seguinte, houvesse parcela expressiva da torcida santista descontente com o nível de jogo da equipe, não reconhecendo a identidade ofensiva que costuma ser marca do clube. No ano passado, Marcelo Oliveira levou o Palmeiras ao título da Copa do Brasil sendo criticado. Agora, acontece o mesmo fenômeno no comando do Galo. O técnico chega à sua quinta final em seis anos de Copa do Brasil, mas não são poucos o que atribuem o que acontece este ano mais ao talento individual da equipe que a um trabalho tático bem feito pelo comandante. Mas o fato de as individualidades aflorarem não retira os méritos de quem as conduz por aspectos não visíveis em campo. Complexo debate!



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