Técnico precisa provar que há vida depois de Tite no Corinthians



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A gloriosa passagem de Tite pelo Corinthians deixou como legado uma torcida muito exigente. Com ele, o corintiano acostumou-se a ter equipes vencedoras e de futebol consistente. Foi por seu trabalho no Parque São Jorge que transformou-se em “unanimidade nacional”, assumiu a Seleção quase que por clamor popular. Para usar expressão corriqueira, Tite elevou a nota de corte no clube paulista.

Seu sucessor, Cristóvão Borges, ficou menos de três meses no cargo e não teve sossego em nenhum momento. A desconfiança foi sua companheira inseparável. Talvez as vaias em substituições até hoje ecoem em sua cabeça quando repousa no travesseiro e provoquem espasmos durante o sono. É claro que dirigir o Corinthians já implica pressão natural. Mas ela se potencializou após anos tão vencedores e e filosofias de jogo convincentes e duradouras. A empatia de Tite com o torcedor transformou-se em terreno movediço para quem viesse depois. Fardo gigante esse!

Agora vemos Oswaldo, experiente e com fama de conciliador, experimentar essa dificuldade. A contratação do técnico, em decisão pessoal do presidente Roberto de Andrade, não goza de receptividade entre os torcedores e nem na direção, o que promoveu um racha. O diretor adjunto Eduardo Ferreira deixou o cargo alegando não ter participado da decisão. Escolher um técnico no clube tornou-se decisão muito sensível e o chefe maior resolveu sozinho.

Mas os efeitos da era Tite se sentem também de outra maneira. As enquetes que o LANCE! realizou após sua saída e mais recentemente, quando Cristóvão foi apeado, mostram uma preferência por caras novas que tenham feito algum trabalho considerado inovador, arrojado. São os casos de Roger, Eduardo Baptista e Fernando Diniz. É como se Tite tivesse moldado um chassi e o corintiano tenha se apegado a ele, recusando algo que não indique a repetição desse modelo.

Oswaldo tem uma história vitoriosa no clube. Foi campeão mundial, paulista e brasileiro. Recentemente, passou por Santos e Palmeiras, dois rivais do Corinthians. Teve bons momentos em ambos, com as equipes em algum momento apresentado futebol agradável, ofensivo. É normalmente citado como sujeito bom de grupo, querido pelos atletas. Ainda assim, foi demitido dos dois. No caso do Peixe, foi uma decisão controversa. O argumento principal foi a falta de resultados fora de casa – algo que se tornou crônico no clube independentemente de quem o comanda. No ano passado, o presidente Modesto Roma acertou sua volta, mas o Comitê de Gestão, que dá a última palavra, rechaçou o nome e a contratação melou. Situação parecida com a vivida agora no Corinthians, mas com desfecho diferente porque o presidente o bancou apesar da rejeição.

Claro que se Oswaldo conseguir resultados em curto prazo, for campeão da Copa do Brasil ou levar a equipe para a Libertadores via Brasileirão, a percepção pode mudar rapidamente. Resultado é um elixir no futebol, no mais das vezes. Mas o fato é que ele topou um desafio árduo, quase existencial: fazer o corintiano enxergar que há vida além de Tite.



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