Tite dá elementos de Alemanha ao Brasil



Finalistas da última Copa do Mundo, Alemanha e Argentina ainda são duas das mais fortes seleções do mundo, mas a razão para isso difere muito e serve de reflexão sobre como se pode pensar o futebol e que efeito prático isso tem. Enquanto os alemães conseguiram instituir uma filosofia de jogo coletivo, que via de regra sufoca o adversário, os argentinos têm uma dependência extrema de Messi e não conseguem se desvencilhar dessa amarra. Ter o melhor jogador do mundo, quem não gostaria? Mas não dar sinal de desempenho além dele representa risco e sobrecarga.

As Eliminatórias para o Mundial de 2018 escancaram essa dicotomia. A Alemanha passeou contra todos os três adversários. Independentemente de serem eles forças medianas (Noruega, República Checa e Irlanda do Norte), interessa notar a dominação exercida nas partidas. Uma aula!. A mesma que vimos em boa parte da campanha do título de dois anos atrás, em que o 7 a 1 foi uma espécie de créme de la créme em que, curiosamente, o Brasil experimentou fenômeno similar ao da Argentina atual. Escorado em Neymar, e sem poder contar com ele na semifinal, o time de Felipão não soube o que fazer diante de uma equipe com propósitos desenvolvidos, assimilados, ensaiados e praticados.

Na derrota para o Paraguai, sem poder contar com Messi e sua rara capacidade de resolver as coisas, a Argentina foi de assustadora infertilidade. Pouco criou, parecia navegar sem bússola. Mesmo com jogadores de grande nível, como Di Maria, Aguero e Dybala, deu os já repetidos sinais de que deitou-se no berço esplêndido de ter um fora de série e não consegue encontrar alternativas quando é privado dele. Não à toa, Messi deu uma capitulada momentânea após a derrota na final da Copa América e ameaçou não mais vestir a camisa do seu país.

E onde entra a Seleção Brasileira nisso? Não creio que seja devaneio deste escriba notar que Tite vem fazendo um exímio trabalho de “alemanhização” do jogo brasileiro. Assim como a Argentina, o time canarinho conta com um jogador capaz de fazer muita diferença. E desde que Mano Menezes foi demitido justamente quando conseguia dar um feitio de conjunto à equipe, a Seleção passou a ter uma postura de dependência de Neymar. Tite tem procurado mudar esse dínamo e já há sinais de êxito. Nas entrevistas, afirma que o atacante não pode ter e responsabilidade pelo todo. No campo, vemos a aplicação dessa mentalidade. Uma equipe coordenada, treinada, com uma dinâmica coletiva que faz de Neymar uma peça importante, porém sem que resida nele o eixo de tudo. Mais que os resultados, o desempenho da equipe é o que anima.



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