Pequeno livro das frustrações olímpicas



nacif nacif

(Foto: AFP/JACK GUEZ)

Prólogo:

Esportistas frente a frente com o momento decisivo em Jogos Olímpicos. Anos de treinos resumidos a um breve momento. E vem o choque a derrota!

Epígrafe:

“A providência deu-nos esperança e sono para compen­sar as muitas preocupações da vida”, Voltaire (filósofo francês do século XVIII)

Capítulo 1:
O judoca Nacif Elias, brasileiro naturalizado libanês, tem um surto de inconformismo ao perder sua luta para o argentino Emmanuel Lucenti. Recusa-se a cumprimentar o rival, ritual obrigatório da modalidade, e dá um piti em entrevista ao canal SporTV: “A arbitragem internacional é uma vergonha! Eu abdiquei da minha vida para estar aqui. É uma vergonha. Talvez eu tome uma suspensão de dois anos agora por ter reclamado. Treinei para ser roubado. Isso não é judô!” Um pouco depois, de cabeça mais fria, volta ao tatame e faz o gesto honorífico de pedido de desculpas ao público. É aplaudido!

Capítulo 2:
O ucraniano Oleg Verniaiev encerra a disputa no individual geral da ginástica masculina com exibição na barra fixa. É a última chance de receber uma nota que o permita superar o japonês Kohei Uchimura, ouro em Londres. Após saltar, com a mão polvilhada de magnésio, vibra, como se pressentisse a vitória. Enquanto isso, a câmera de TV flagra o adversário de costas, murmurando, evitando assistir aos exercícios do oponente. Nota divulgada e o semblante de Oleg instantaneamente muda. Decepção! Uchimura vibra com o bicampeonato. Segundos depois, os dois estão lado a lado, trocam abraços e se confraternizam.

Capítulo 3:
Na disputa de espada na esgrima masculina, já no tempo extra, o tcheco Jiri Beran tem um ponto assinalado a seu favor. Ele, então, avisa ao árbitro que a marcação está errada e o ponto deve ser atribuído ao brasileiro Athos Schwantes. Este, ato contínuo, bate palmas pela atitude do rival.
“Esse é o verdadeiro espírito olímpico“, resume Athos em entrevista após o duelo que o classificou para a fase seguinte.

Epílogo:

Nacif Elias, Oleg Verniaiev e Jiri Beran viram sonhos desfeitos por segundos, décimos ou estreita margem de pontos. No esporte, a linha que separa glória e fracasso é tênue e lidar com a perda apenas assentado no lema do barão de Coubertain de que o importante é competir não é fácil, mas necessário. Talvez mais valha aferrar-se ao que disse o ex-tenista Gustavo Kuerten durante o jogo Brasil x Dinamarca, pelo futebol masculino: “O bacana do esporte é que a esperança se renova a cada disputa”.



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