O Febeapá da CBF nos Jogos Olímpicos



trio do santos

Santos perdeu três jogadores na Olimpíada (FOTO: Ivan Storti)

Na noite desta sexta será aberta a Olimpíada do Rio de Janeiro. Pela primeira vez em 120 de história “moderna”, os Jogos acontecerão em terras sul-americanas. Um acontecimento esportivo único e que dificilmente a minha, a geração seguinte e a subsequente terá a chance de viver, ou reviver. Mas para a CBF parece tratar-se de uma perfumaria, um acontecimento cosmético, desimportante. Durante as pouco mais de suas semanas de disputas em quadras, pistas e gramados ocorrerão três rodadas do Campeonato Brasileiro, o mais importante do país. A entidade esforçou-se para chancelar a expressão do articulista-humorista José Simão: país da piada pronta. Torcedores terão que dividir as atenções entre a maratona olímpica – com infinitos canais de TV – e jogos do seu clube do coração.

No primeiro fim de semana olímpico teremos a última rodada do primeiro turno do Brasileirão. Rival de peso para basquete, judô, natação, hipismo, vôlei e outras modalidades. A CBF tem condão inacreditável de produzir concorrência interna. Para usar expressão do historiador americano Benjamin Moser, mais uma vez o Brasil se manifesta autoimperialista, mas desta vez no âmbito esportivo, conspirando internamente, vampirizando a si mesmo.

A incapacidade de montar um calendário racional, decente, gera mais um dano entre tantos. A sobreposição de datas entre Seleção e clubes sempre foi o principal, e ele se estende agora na Olimpíada, com a agravante de acontecer no Brasil. Esse modus operandi poderia facilmente entrar no catálogo do Febeapá criado nos anos 60 por Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do cronista Sérgio Porto: o Festival de Besteiras que Assola o País.

Curioso que Marco Polo del Nero, com sua paúra a viagens internacionais por razões conhecidas, será presença constante nos jogos da Seleção olímpica. Certamente instrumentalizará um eventual inédito ouro olímpico, como Ricardo Teixeira instrumentalizou as conquistadas das Copas do Mundo de 94 e 2002. Mesmo que uma glória de Neymar, Gabriel Jesus e turma seja mérito do talento deles, sem nenhuma contribuição da cartolagem pátria.
As três rodadas “olímpicas“ do futebol serão muito importantes. Após a terceira, que corresponderá à 21ª da competição, ou segunda do returno, faltarão apenas 17 jogos. Menos para Botafogo, Grêmio, Figueirense e Fluminense. Vejam a lambança, filhote da desorganização.

Duas partidas foram adiadas porque ocorreriam em estádios do Rio de Janeiro que não poderiam contar com as forças de segurança do estado. Elas estarão voltadas para os Jogos, é óbvio. Abrem-se as alas para o asterisco na tabela. O primeiro turno vai terminar sem ter acabado efetivamente, já que a partida Botafofo x Grêmio foi adiada para setembro em decorrência desse fato, que seria evitado se o Brasileirão prestasse a devida reverência ao mais importante evento poliesportivo do mundo.

O torcedor terá que dar seu jeitinho de conciliar tudo, alguns deles vendo seus time desfalcado pela Seleção olímpica. Parece até provocação. Não é difícil entender a razão de a CBF ser tão impopular e a equipe brasileira não andar tão prestigiada como antes. O Campeonato Brasileiro é desvalorizado e os Jogos do Rio idem por esse calendário monstrengo. O tema já foi tão repisado que pode parecer gasto, mas tem que estar na ordem do dia. Ele está diretamente relacionado à qualidade das partidas de futebol no país, a preservação da integridade física dos jogadores e a valorização das competições.



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