Diego e Robinho – Quando eles eram reis



Sao Paulo; Brasil; Estadio do Morumbi; 15/12/2002; Futebol; Final do Campeonato Brasileiro; Jogo, Corinthians X Santos;Robinho e Diego comemoram o titulo; Ari Ferreira/Lancepress; Foto Digital

FOTO: Ari Ferreira

No ano em que o Brasil conquistava o pentacampeonato mundial e elevava a autoestima nacional aos píncaros, o futuro da Seleção parecia assegurado. No segundo semestre, uma dupla de adolescentes recolocava o Santos no caminho das glórias após 18 anos de seca e dava a sensação de que a linhagem de craques a suprir o “auriverde pendão da minha terra”, para usar lindo verso de duro poema de Castro Alves, estava assegurada. Agora, quase uma década e meia depois, a chegada do meia Diego ao Flamengo permite refletir sobre os descaminhos das sempre temerárias profecias da bola. E, em uma instância mais complexa, sobre como o Brasil sempre foi excessivamente dependente dos talentos individuais para sobressair.

Pela primeira vez desde que Diego deixou o Santos, em 2004, ele e Robinho estarão simultaneamente atuando na terra natal. O atacante, que já havia dado as caras outras duas vezes no país, ambas pelo Peixe, agora está no Atlético-MG. Não são mais os molecotes atrevidos que roubaram a cena fundando nova geração de Meninos da Vila. Trintões, mas ainda com lenha para queimar, tiveram, ou melhor, têm trajetória para se orgulhar, com passagem por grandes clubes europeus e respingos na Seleção – no caso de Robinho, respingos mais grossos. Porém, é inegável que nem triscaram naquilo que deles se projetou. Eram projeções muito grandes, do nível mais alto: serem os melhores do mundo em suas posições, protagonistas em grandes clubes da Europa, marcarem época na Seleção… Projeção, elementar, é algo que ganha vida ou não por inúmeros, insondáveis, fatores. O talento pode ser desperdiçado por decisões várias, próprias e alheias. A existência da qualidade não garante que ela vá ser um triunfo permanente, ou de forma consistente. Aplicar oito pedaladas no marcador e sofrer um pênalti pode acontecer em uma final e nunca mais.

De Robinho já se tratou muito na imprensa brasileira nesses anos todos pela proximidade, seja pela presença mais constante na Seleção, especialmente na primeira era Dunga, da qual foi um dos pilares, seja pelas suas passagens repetidas pelo Santos. Diego, que retorna ao Brasil após 12 anos zanzando por relevantes clubes europeus, foi pouco debatido. Enquanto o atacante ganhou os primeiros holofotes pelas qualidades que consagraram o futebol brasileiro, na ginga e inventividade, simbolizadas pelas tais pedaladas, Diego, pela posição em campo, condução vertical da bola e vestir a camisa 10, estava mais para o time dos cerebrais, dos organizadores do jogo, e também capazes de infiltrar e definir de longe com maestria. Espécie representada fielmente por Zico, para ficarmos no maior ídolo do clube que agora defenderá.

A chegada de Diego ao Flamengo gerou euforia entre os torcedores. Uma manifestação compreensível. Não é uma contratação banal. Trata-se de um jogador que nos últimos anos sempre aparecia nas janelas de transferência como nome pretendido por grandes clubes brasileiros. É de um nível acima da média do que se tem hoje nos gramados locais. Por outro lado, o Diego que chega não é o Diego projetado 14 anos atrás. Assim como o Robinho do Galo não é nem sombra daquele que despontou no Santos. No caso do atacante, nem mesmo as características de jogo guardam mais semelhanças com as que o marcaram nos primeiros atos.
Nos dois retornos ao Santos, Robinho teve momentos de protagonista e foi campeão. No Flamengo, Diego também pode ter papel importante e conquistar títulos. E, mais que as projeções, são essas coisas que ficarão!



  • parou uma guerra

    O sumo deles ficou no Santos, aos outros só restou o bagaço.

  • pakizika santos

    meu santos e maior que eles que si foda diego e robinho e etc.

  • Dener Marques

    Eu acredito que no Flamengo o Diego não jogará nada…E pelo alto salario não terá espaço no time e irá sair assim como o Ronaldinho.

  • Paulo B.

    Diego: Salário R$ 650 mil

    Robinho: Salário R$ 900 mil

    Valem tudo isso em 2016?

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