Detalhes tão pequenos são coisas muito grandes



MAICON

FOTO: Nelson Almeida/AFP

O “toco y me voy“ imposto pelo Atlético Nacional sobre o São Paulo na fração final do jogo de ida, no Morumbi, dá um recorte impreciso do que foi o conjunto da obra da semifinal da Libertadores. A expulsão do zagueiro Maicon adulterou a disputa e permitiu aos colombianos que exercessem m sua principal virtude. O toque de bola rápido, fluido, no ataque, resultou em dois gols e deixou o confronto desigual. Um pouco antes, a equipe brasileira pressionava e Michel Bastos teve ótima chance de abrir o marcador. O duelo fatalmente adquiriria feições outras se o gol saísse, mas a defesa de Armani e, pouco tempo depois, o vermelho para o jogador por quem o clube se sacrificou a manter em suas fileiras, mudou tudo Se houve exagero ou não da arbitragem, cabe discutir. O fato gritante, porém, é que faltou controle emocional ao atleta que ganhou expressiva importância neste ano. Sua atitude acabou tendo preço salgado.

O baile colombiano de fim de noite é um recorte impreciso não só pelo que ocorreu até a expulsão como pela peça integral da partida de volta. Em muitos momentos, o aguerrido São Paulo foi superior em Medellín. Abriu o marcador, teve bola na trave, um pênalti não marcado e viu a vaga se esvair porque o fardo produzido uma semana antes era pesado demais. O futebol é um jogo em que detalhes atuam como protagonistas. A bola na trave de Gignac no fim do segundo tempo da final da Eurocopa, no domingo passado, foi ilustrativo. Não houvesse esse capricho do jogo e não existiriam a semana de maior autoestima futebolística da história de Portugal, o passo definitivo de Cristiano Ronaldo para levar sua quarta Bola de Ouro e a repentina transformação do “patinho feio” Éder em xodó.

A expulsão de Maicon foi devastadora. No entanto, há uma outra leitura fundamental a ser feita. O São Paulo esteve desacreditado em parte da campanha. Correu o risco de ser o único brasileiro a cair na primeira fase e terminou como o melhor colocado do país. E mostrou um espírito de luta capaz de consolar seu torcedor. A classificação para as oitavas veio em situação extrema, na temida altitude de La Paz, em um empate que teve Maicon improvisado no gol nos últimos minutos. Então, se o São Paulo foi mais longe do que o esperado, o zagueiro deu contribuição vital. Representação digna de como o esporte é um pequeno mostruário da complexidade da vida. Justamente por se definir em pequenos detalhes ele permite essas dualidades. Maicon evitou o vexame da queda precoce, mas foi decisivo para a eliminação.

E o vistoso futebol ofensivo dos colombianos convive com sistema defensivo frouxo. A parte não representa o todo. O bom toque de bola deu a vantagem na ida, mas a marcação pouco eficaz permitiu ao São Paulo sonhar com a reviravolta.



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