Seleção Brasileira: menos ufanismo e mais transpiração



tite

FOTO: Mowa Press

Da imensa gama de impactos que o 7 a 1 da Alemanha gerou no futebol brasileiro, podemos verificar que o mais evidente é o choque de realidade. A ideia de que a Seleção Brasileira é naturalmente ungida pelos deuses, vocacionada a vencer por força da natureza procriadora de craques, que todos tremem “diante da amarelinha“, parece ter ficado para trás. Pouco antes do Mundial de 2014, ainda na preparação, Parreira declarou que a equipe entrava na competição com “uma mão na taça”. Poucas semanas depois, o coordenador técnico viu-se no centro do burlesco, caricatural episódio da cartinha da Dona Lúcia. Da arrogância ao pedido de clemência em poucas semanas, manifestação do brasileiro cordial, de cuore, do coração, descrito por Sérgio Buarque de Hollanda. A emoção acima da razão e assim caminhávamos para o abismo.

Pois em sua primeira coletiva como novo técnico da Seleção, Tite demonstrou senso de realismo inusual para quem está no posto. Admitiu o óbvio, que o Brasil corre sim o risco de não se classificar pela primeira vez para uma Copa do Mundo. O discurso pés no chão de Tite, uma quase unanimidade para o cargo, mostra sabedoria e sobriedade. Não só a goleada da Alemanha como as eliminações para Paraguai e Peru nas edições seguidas de Copa América recomendam humildade e trabalho. Rogério Micale, técnico do time olímpico, foi na mesma direção ao não prometer título nos Jogos do Rio. A mensagem da dupla é clara: menos blablablá ufanista e mais transpiração.

A Seleção Brasileira adquiriu respeito internacional por suas conquistas e o talento dos jogadores locais. Mas os dados seguem rolando e prestígio não assegura vitória. Bicampeão do mundo, com Pelé e Garrincha em ação, o “escrete canarinho“ caiu na primeira fase em 66. O futebol, como a vida, exige reinvenção e impõe provações a todo momento. Com Parreira e Felipão, a CBF foi para o Mundial de dois anos atrás acreditando que o sucesso desencadeia automaticamente mais sucesso. Tite e Micale demonstram, ao menos no discurso, que não é assim.



  • Emerson Miguel

    Os resultados positivos da Seleção trazem prestígio para o esporte, não para a nação. Tomara mesmo que o ufanismo seja deixado de lado. Eu quero ver bom futebol. Chega de hino à capela, de entrar de mãos dadas, de caras-e-bocas, de ostentação barata de nacionalismo. Quem gosta de futebol quer ver FUTEBOL DE QUALIDADE. NADA MAIS.

  • SCCP

    Tomara que vá mau nessa Selebosta para voltar logo para verdadeira Seleção que nunca deveria ter saido

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