Messi não merece, mas isso acontece



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FOTO: AFP

Messi perdeu a quarta final pela seleção argentina e capitulou. Eu me rendo (!!!), disse o camisa 10, usando outras palavras. Maior jogador em atividade no futebol mundial, com lugar já reservado no panteão dos craques de todos os tempos, o camisa 10 deu o braço a torcer: não consegue conquistar título pela seleção do seu país. O desabafo-anúncio, que, muitos apostam, será em breve um “esqueçam o que disse” (será?), parece fruto de exaustão. Cinco vezes eleito melhor do mundo, com potencial para repetir a dose mais algumas vezes, campeão nacional, continental e mundial de Barcelona mais de uma vez, inspirador de garotos pelos quatro cantos do planeta, protótipo de personagem de videogame, Messi mostrou sua humanidade mais profunda. O talento, a incrível capacidade de driblar adversários, a afinidade com a rede, nada disso foi suficiente para ser campeão pela Albiceleste.

O resultado dita análises, no mais das vezes. O detalhe escreve o destino. Se na primeira decisão com Messi, a Argentina tomou 3 a 0 do Brasil, nas outras os fatos por pouco não foram outros. E estaríamos aqui então colocando Messi nos píncaros. Na final do Mundial, Híguain e Palacio perderam gols incríveis. Nas duas finais em um ano de Copa América, Higuain, que faz gol de tudo que é jeito no Napoli, perdeu chances de ouro também. As derrotas vieram nos pênaltis. Na primeira disputa, Messi fez. Na do último domingo, errou.

A taça passou raspando novamente. Messi ainda vive seu auge e, é provável, deu a declaração terminal no calor da emoção. Nitidamente, ansiedade e nervosismo o acompanham cada vez mais em disputas pela Argentina. A necessidade de se consagrar pela pátria de nascimento ganhou contornos maiores por sua trajetória. Foi cedo para o Barcelona, logo cedo cruzou o Atlântico. Os argentinos esperam que ele repita com a camisa de sua seleção as coisas incríveis que faz no seu clube. E ele tenta, se esforça. Basta ver como vibra com os gols da seleção e sofre nas derrotas. É um fardo danado. Mas a ampulheta ainda tem areia para esvaziar e é melhor esperar.

Messi, por tudo que já fez nos campos, pelo encantamento que já produziu, não merece o sofrimento que a falta de títulos pela Argentina o inflige. Mas, como cantou Cartola na sua composição predileta, “tudo no mundo acontece”. Acontece até mesmo de Messi não conseguir fazer em campo o que gostaria.



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