São Paulo dança no compasso de Bauza



bauza                                                          FOTO:  Érico Leonan / saopaulofc.net

As entrevistas de Edgardo Bauza revelam, além do rosto oblongo, um sujeito muito seguro. Alguém convicto de suas ideias, sem receio de desagradar àqueles que anseiam por um futebol ofensivo e plástico. Difere bastante de Osorio, seu antecessor no comando do São Paulo. O mexicano ousava mais, tinha um perfil experimentalista. Gostava de improvisar, o que gerava calafrios em um ambiente impaciente e, em certa medida, conservador. Bauza é mais “simples“, foca em talhar um time competitivo, sem preocupações estéticas, e não esconde isso nas entrevistas.

Na sua coletiva de apresentação no clube, ainda em dezembro do ano passado, o argentino explicou que se situa, na forma de enxergar o jogo, no meio-termo entre Guardiola e Mourinho. Enalteceu a força defensiva das equipes do português com ênfase e não escondeu que gosta de armar um time a partir desse princípio, com solidez atrás. Por outro lado, externou admiração pelo controle da bola que o técnico espanhol consegue implantar.

A forma como o São Paulo chegou à sua primeira semifinal de Libertadores em seis anos faz jus à filosofia que o treinador não se furta de apregoar. Competir é preciso, encantar não! O time não venceu nenhuma vez fora de casa, construiu as condições favoráveis no Morumbi. É caseiro. A classificação de uma etapa a outra, a partir da fase de grupos, deu-se longe de São Paulo, com empate quando era necessário – na altitude de La Paz – e perdendo por placares que lhe eram favoráveis – no México e em Belo Horizonte. E o lastro está nos dois títulos continentais que constam do seu currículo, com LDU (2008) e San Lorenzo (2014), ambos obtidos sem vitórias como visitante nos mata-matas.

A autoconfiança de Bauza talvez seja a grande responsável pelo bom momento do São Paulo. No estádio que ganhou ares de “guilhotina” para os rivais do Galo, o Horto, a equipe não se abateu com o início avassalador do adversário, conseguiu reagir e repetiu o espírito competidor demonstrado contra o The Strongest, na Bolívia. Exibe em campo o que o comandante grifa: “Não me interessa jogar bonito, quero uma equipe efetiva”.



  • Charles Ubiratan

    Juca Kfouri e filho adoram isso! kkkk

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