Seleção volta a exigir sacrifício dos clubes. Até quando?



dunga
Dunga convocou sete atletas que atuam no Brasil (FOTO: Pedro Martins/AGIF/Lance!press)

Dos muitos problemas que atazanam o futebol brasileiro, um dos mais sérios é o calendário. O tema é velho, desbotado, mas exibe sua fuça gelada a cada convocação da Seleção Brasileira e de outros países sul-americanos. O enxame de datas para abrigar todas as competições faz com que os clubes tenham jogos encavalados com as datas Fifa, espaço reservado para amistosos e competições entre seleções. Os times, que deveriam comemorar a convocação de seus jogadores, como sinal de prestígio, veem-se na kafkiana situação de lamentar a valorização. É uma espécie de autoimolação que a CBF impõe ao futebol brasileiro. Dá vontade de sentar no meio fio e chorar lágrimas de esguicho, como escreveria Nelson Rodrigues. É uma falta de amor próprio digna de Guiness Book a que a entidade e os clubes, cordeiros de seus deus, expressam. É muito vira-latismo!

Dunga anunciou nesta quinta a lista de atletas que jogarão a Copa América Centenário, nos Estados Unidos. Sete deles atuam no Brasil. Cinco clubes deitarão na cama de faquir de cinco a nove rodadas, a depender do desempenho da Seleção no torneio. O número é ainda maior se considerados os atletas fisgados por outras seleções. O Santos é o exemplo mais gritante dessa bizarrice com tons amadorísticos. Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Gabriel foram convocados. Isso significa que no primeiro quarto da principal competição doméstica, disputada por pontos corridos, o time será esfacelado e poderá ver suas pretensões sacrificadas. E daí quererão, CBF e Dunga, diante dessa tunga – com o perdão do trocadilho – que os torcedores sigam amando a seleção que fere seus times? O técnico, aliás, teve a pachorra de usar naftalínico discurso patriótico para explicar o dano aos clubes. Parece que estamos no paleolítico quando o assunto é organização do futebol.

No ano passado, a CBF anunciou que nos jogos das eliminatórias havia feito uma desincompatibilização das datas. Foi como uma mudança para manter tudo como está, na linha do pensamento oportunista do príncipe de Falconeri, do romance “O gattopardo”, de Tomasi di Lampedusa. É atraso retumbante!



MaisRecentes

O Grêmio não enfeitiça os anseios de Tite



Continue Lendo

Alemanha x Brasil: aprendizado por linhas tortas



Continue Lendo

Messi ameaça driblar o tempo



Continue Lendo