Paulistão premia o futebol de pé em pé



santos x audaxSantos e Audax já se enfrentaram no Paulistão (FOTO: Ivan Stórti)

O Osasco Audax, finalista do Paulistão, não entrará para a galeria das máquinas futebolísticas. Não terá espaço no panteão reservado a times como o Santos de Pelé, a Academia de Ademir da Guia, o Botafogo de Garrincha, o São Paulo tutelado por Telê e outros que se eternizaram pelo fino trato da bola, a capacidade de encantar e se encarapitar na memória afetiva da coletividade. É importante dizer isso em tempos de patrulha geral, até mesmo com elogios. Feita a ressalva, é digno de aplausos o que fazem Fernando Diniz e seus comandados.

Volta e meia ouvimos justificados queixumes sobre o baixo nível técnico das partidas no Brasil, com chutões cegos, disputas aéreas sem fim, correria inconsequente. Quando um modesto time apresenta estilo coordenado, com a bola de pé em pé, um cuidado estético e moderno, devemos enaltecer sem medo da vigilância. O orçamento pequeno não foi obstáculo. A partida contra o Corinthians, na semifinal, agradou aos olhos rigorosos.

O Santos, adversário na decisão, é outro que tem baseado seu jogo no passe, exorcizando a cultura do bicão e do maus tratos aos fundamentos do jogo. Dorival Júnior tem em mãos uma equipe essencialmente técnica – exceção feita aos zagueiros –, que trabalha a bola e tenta sempre tomar as rédeas das partidas. Os adversários da final entenderam o recado dado pelos 7 a 1 da Alemanha no Brasil, provam haver eco prático daquela tragédia. Enquanto alguns, teimosamente arrogantes, fazem ouvidos moucos e ignoram as causas de tão danoso efeito, há quem esteja bebendo na fonte do que melhor se faz pelo futebol no mundo.

Se não é possível ter esquadrões no Brasil do nível dos maiores da Europa por obstáculos econômicos evidentes, o trabalho feito com observação e treinamento dá frutos.

É conhecida a declaração de Guardiola de que aplica nos seus times o que aprendeu com o futebol brasileiro de outrora. Diniz e Dorival, assim como Tite, nada mais fazem, portanto, do que resgatar a cultura que celebrizou o jogo brasileiro. Mostram que é possível fabricar equipes de jogo fluido sem ter cofres cheios para contratar uma legião de craques.



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