Retrospecto e contraexemplo para o São Paulo



bauzaFOTO: Reginaldo Castro

O São Paulo viverá nas duas próximas quartas-feiras um estranho clima de decisão. É a tal primeira fase da Libertadores, que produz jogos eliminatórios nos primeiros dias da temporada. Essa precocidade é terrível em se tratando de futebol sul-americano, vítima de uma janela de transferências abraçada à falta de planejamento dos clubes. Além da retomada física que os jogos iniciais naturalmente exigem, há a troca de técnico, o parco entrosamento, a necessidade de experimentações… O jogo de tentativa e erro fica então sacrificado em nome da necessidade. É preciso superar um mata-mata preliminar para entrar de fato na competição mais cobiçada atualmente pelos clubes do Brasil e de sua vizinhança.

O novo técnico são-paulino, Edgardo Bauza, conhece bem a Libertadores. O argentino tem no currículo dois títulos por equipes de dois países diferentes, feito único na história do torneio continental. Tem mostrado confiança de que seu time não repetirá o vexame do Corinthians de 2011, defenestrado pelo então desconhecido Tolima. O adversário do São Paulo nos dias 3 e 10 de fevereiro não goza de fama alguma fora do Peru. O Cesar Vallejo está no fim da adolescência, acabou de completar 20 anos de fundação, e vai apenas para a sua segunda Libertadores. Na única participação, caiu justamente nessa etapa eliminatória para (ironias da bola) o Tolima. Será o confronto de um colosso tricampeão contra um aprendiz.

Como o futebol tem entre seus atores o imponderável, especialmente em disputas de mata-mata, o experiente Bauza certamente está com as barbas, que não possui, de molho. Declarou após o empate com o Red Bull, na estreia do Paulistão, que o time “vai bem ao Peru“. Segurança não é esnobismo, é um traço de liderança e avaliação do próprio trabalho. A pressão natural por ser amplamente favorito em um confronto decisivo de início de temporada não precisa de novos elementos, já exprime-se por si só.
Em 2015, o São Paulo chegou a viver um cenário de drama na fase de grupos, precisando superar na rodada final o já classificado arquirrival Corinthians, que o havia esmagado na primeira rodada. Meses depois, conquistou a vaga na edição deste ano na bacia das almas, apesar da dantesca crise política que teve como desdobramento principal a renúncia de um presidente. Obteve o quarto lugar do Brasileiro até mais por incompetência dos adversários na reta final que propriamente seus méritos. O panorama agora aparenta ser mais propício a gerar bons frutos. O desafio dos jogos com o Cesar Vallejo é não deixar-se cair nas armadilhas do futebol, evitando sofrer um baque prévio.

A zebra com brasileiros nesses mata-matas introdutórios resume-se até hoje ao que ficou conhecido como “Tolimada”. O modelo existe desde 2005 e mesmo times menos habituados á competição, como Paraná e Goiás, superaram essa fase. São 17 duelos e só um contraexemplo. O próprio São Paulo teve a experiência contra o Bolívar três anos atrás e o placar agregado foi 9 a 3. O retrospecto mostra que não há razão para temor. O Corinthians 2011 é ponto fora da curva, um grito para o foco. Cumprir a “obrigação” será protocolo e alívio para a equipe tricolor.



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