Robinho e Santos: vínculo afetivo e bem-sucedido



robinhioFOTO: Ivan Storti

O Santos tenta repatriar Robinho pela quarta vez. O clube tem um laço emocional muito forte com o atacante. Difícil dizer se a recíproca é verdadeira no mesmo nível, mas o fato é que os ares da Vila fazem bem ao jogador. O Peixe não precisa dele para conquistar títulos, não está submisso ao atleta no aspecto técnico, basta dizer que foi campeão paulista quatro vezes e uma da Libertadores no período em que a idolatria se construiu e cimentou. Mas há um apego enorme, passional, que respalda-se na história e no reiterado sucesso do atleta com a camisa santista. É isso que faz a cartolagem alvinegra recorrer a contas e atalhos para, sempre que possível, promover o regresso do arisco e pródigo filho à casa.

O primeiro retorno deu-se com Luis Álvaro Ribeiro, presidente inventivo e fraseador. Sua (re)apresentação teve ares de festa caseira e namoro reatado. Com Neymar brotando, o atacante foi um coadjuvante de luxo nas conquistas do Paulista e da Copa do Brasil de 2010 – título que abriu caminho para a taça continental amealhada no ano seguinte. Tinha contrato com o Manchester City e não houve negócio para um alongamento do empréstimo. Foi frutífera, mas curta a temporada. Odílio Rodrigues, vice que assumiu quando Laor afastou-se por motivos médicos, fez um novo reatamento. E ele ocorreu meses depois de uma negociação tumultuada que fez Robinho emitir nota oficial desancando Luis Alvaro. Versões conflitantes quanto à pedida salarial do jogador produziram as rusgas. Sem muito espaço no Milan, voltou e novamente foi campeão, desta vez apenas paulista.

O Santos, agora com Modesto Roma – apadrinhado por Marcelo Teixeira, o “pai” de tudo, em 2002 –, tenta desenhar um quarto capítulo. As idas e vindas não foram só flores, como mostrou o episódio de 2013, que culminou no feroz comunicado oficial. Mas no campo, Robinho sempre respondeu à altura da idolatria. E é isso que alimenta ainda mais o amor de clube e torcida pelo jogador. Teve sucesso em todos os momentos, com bom desempenho e título. O Santos sempre se dispôs a fazer sacrifícios orçamentários em nome de uma relação diferente das demais. A crise financeira, legado amargo de Odílio, fez com que na última passagem Robinho ficasse meses a fio sem receber salário. E o jogador não deixou de corresponder em campo e liderar a equipe no título estadual. Se saiu na sequência seduzido por milhões chineses, também o fez porque uma péssima gestão produziu justificável insegurança. Como ter certeza que a situação estava em ordem? Era uma proposta polpuda versus um contexto caótico.

Agora o ioiô pode repetir-se. Grande parte da torcida o apoia sem pestanejar. Há quem olhe torto, claro, mas é de se esperar que uma nova passagem seja novamente bem sucedida.



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