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robinho 2002Robinho dá as históricas pedaladas em Rogério (FOTO: :Vander Roberto/LANCE!Press)

Elano fez um dos gols mais importantes da história recente do Santos. Foi no dia 15 de dezembro de 2002, no Morumbi. O meia completou cruzamento do então adolescente e franzino Robinho e fez santistas de todas as idades e credos entrarem em um êxtase que desconheciam há muito – no caso dos mais jovens, uma sensação novíssima em folha. O Corinthians vencia por 2 a 1 e o torcedor do Peixe roia as unhas temendo que mais uma vez o fim da fila de títulos fosse adiado. Quando Elano escorou a bola e saiu correndo pela linha de fundo, tirando a camisa, Galvão Bueno narrou: “Goooool, é do Saaantos. Campeão brasileiro de 2002”. Para completar a festa, o lateral Léo faria o terceiro. O primeiro havia sido de Robinho, de pênalti, provocado pelas infinitas pedaladas no lateral Rogério, certamente até hoje aturdido pela jogada.

Na última segunda, Elano, aos 34 anos, apresentou-se para sua quarta passagem pelo Santos. Prepara-se para encerrar a carreira no fim do ano vestindo a camisa do clube que o consagrou. Mesmo caminho trilhado por Léo, que retornou à Vila, conquistou várias novas taças – entre elas a Libertadores de 2011, em elenco que também tinha Elano – e pendurou as chuteiras no clube. Passos que Robinho esboça repetir. Mesmo que não volte pela terceira vez ao Santos agora, como deseja o presidente Modesto Roma, é batata apostar que antes de aposentar-se o atacante vá defender mais uma vez o time que o projetou para o mundo.

Os três personagens da final de 2002, com suas idas e vindas para Urbano Caldeira, resumem o afeto que os santistas têm por aquele time. Uma equipe que encerrou capítulo triste do glorioso alvinegro, calou os chistes dos rivais nas arquibancadas, que diziam ser o Santos uma viúva de Pelé, e inaugurou nova era. Elano terá mais uma vez como companheiro Renato, uma espécie de herói discreto na conquista de 13 anos atrás e titularíssimo da atual equipe de Dorival Júnior. Alex e Diego sempre são considerados no mercado pela diretoria. Só não retornaram até hoje por questões financeiras e escolhas pessoais. Enfim, os protagonistas da história mantiveram-se na órbita do clube pela força da lembrança e a gratidão do torcedor, que via de regra vê com bons olhos a volta de quem compôs a turma.

Depois de 2002, o Santos conquistou um punhado de títulos – seis estaduais, dois nacionais e dois internacionais – sem necessariamente ter a ajuda de atletas da campanha redentora. Revelar Neymar, Ganso e Gabigol é prova disso. Não foi refém do passado. Mas, ao mesmo tempo, manteve íntima relação com importantes figuras de um título inesquecível. E a proximidade aconteceu independentemente da diretoria, haja vista que Renato, Elano e Robinho retornaram pela primeira vez na gestão de Laor, eleito pela oposição a Marcelo Teixeira. Bravíssimo!



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