Tite e o desafio da reconstrução



No início de 2015, uma das grandes dúvidas de pré-temporada era se Tite conseguiria ter sucesso em uma nova empreitada no Corinthians. O treinador vinha de um ano de retiro, sabático, depois de passagem ultravitoriosa pelo clube alvinegro. Em vez de escolher outros ares, onde poderia começar do zero, sem a pressão do passado, optou por retonar para o lugar onde realizara seu último trabalho e havia conquistado tudo, consagrando-se como o melhor técnico dos tempos atuais. Para alguns, soou como decisão de faquir, sem nada a ganhar e muito a perder. Um autoflagelo. O hexacampeonato brasileiro, com um roteiro de superação e reinvenção, torceu línguas e pensamentos comuns. Tite mostrou capacidade admirável de dar sentido original a um trabalho  ainda que estando no mesmo lugar em que já havia atingido o ápice. Não era uma questão de nomenclaturas, mas de desafios autoimpostos.

Não importa que já tivesse sido campeão brasileiro pelo Corinthians, a taça era um fim que tinha nos seus meios os estímulos necessários. Ter que juntar os cacos de eliminações do Paulista e da Libertadores em casa, dar motivação a um grupo combalido por atrasos de salário e ameaça de debandada… A convivência com a cultura brasileira do descarte de técnico após duas ou três derrotas talvez tenha gerado como subproduto a ideia de que uma trajetória vitoriosa não possa se reproduzir no mesmo lugar.

Agora, Tite vê-se novamente desafiado no Corinthians. O time construído à base de muita alma e organização perdeu seu coração técnico. As súbitas saídas de Renato Augusto e Jadson puseram o técnico diante da inesperada necessidade de reconstrução. Foi essa exatamente a definição dada ontem por Tite em sua primeira entrevista no ano, lá nos Estados Unidos: “O desafio da reconstrução”. Tite não é mago, embora no futebol exista uma tendência de atribuir resultados advindos de esforços a sortilégios. Sabe que será necessário contratar reforços, mas também que não há nenhuma máquina atualmente em território nacional. A meta será manter-se competitivo dentro dessa realidade.

Semanas atrás, o Corinthians despontava como a equipe mais forte do país. Com o pequeno, mas sensível, desmanche tornou-se uma interrogação. A presença de Tite no banco é o principal fator a se considerar antes de julgamentos precipitados. Como dito, não é mago. O que se entende por magia deveria ser descrito como capacidade de extrair as máximas potencialidades técnicos das atletas e fazê-los atuar em grupo. É essa a reconstrução que pode ocorrer agora.



  • Kris Anoxika

    Tite genio. Corinthians Bi da libertadores,

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