Brasil faz pequena degustação e exporta jogadores



renato augusto
(Foto: Mauro Horita/AGIF)

A seleção da China esteve presente em apenas uma Copa do Mundo até hoje. Foi em 2002, no Mundial sediado por seus vizinhos Coreia do Sul e Japão. Mesma edição em que o Brasil, único país a jogar todas as 20 edições, tornou-se pentacampeão. Os chineses não marcaram um mísero gol e perderam as três partidas que disputaram. Uma delas por 4 a 0 justamente para a Seleção Brasileira dirigida por Felipão, técnico que atualmente dirige o Guanghzou Evergrande, da China.

Na história do jogo de bola, a China é uma pulga perto do Brasil. Mas no mercado atual, tem sido um dragão, para recorrer a uma metáfora mitológica da nação mais populosa do mundo. Renato Augusto e Jadson, os dois grandes jogadores do último Campeonato Brasileiro, fundamentais na conquista do Corinthians, foram “raptados” pelos milhões vindos do extremo oriente. Em síntese, o melhor time da temporada passada no país pentacampeão perdeu seu alicerce para os parrudos cofres do futebol de um país sem tradição alguma.

Não é de hoje que o Brasil vê jogadores de bom nível emigrarem para lugares sem tradição. Se os maiorais vão para os gigantes europeus, os bons, que não chegam a ser excepcionais, volta e meia são atraídos por clubes do Oriente Médio, por exemplo, e seus petrodólares. A China entrou de cabeça no negócio e aumentou a caça predatória. Guardadas as proporções, é mais ou menos o que tem feito o próprio Brasil com Argentina e outros vizinhos continentais. E os melhores entre estes ainda acabam usando apenas como trampolim para o mesmo processo, vide que Conca e Montillo, destaques de edições recentes do Brasileirão, também caíram nessas redes periféricas. Daí que os campeonatos locais desenrolam-se com garotos da base – embalados para cevar essa máquina exportadora –, alguns estrangeiros e veteranos que já fizeram o seu pé de meia.

Como cantou Tom Zé, com a Bossa Nova o Brasil passou a exportar arte, o grau mais alto da capacidade humana. Com o futebol também. Pena que, neste caso, quase nem deguste.

O GIGANTE DESPERTOU

Dado o tamanho da economia – segunda maior do planeta –, a China até que demorou para botar as asas de fora no futebol. Um país que tem cerca de 1/5 da população mundial não iria ficar para sempre como um gigante adormecido no esporte mais popular da terra. Aonde irá chegar é difícil prever. Mas parece trilhar um caminho sem volta.

FRASES FEITAS

Tudo que se refere à China é naturalmente grandioso. A monumentalidade do país, porém, também pode ser vítima dos lugares-comuns. Para entender o que quero dizer, sugiro a leitura do ótimo romance “Reprodução”, de Bernardo Carvalho, vencedor do Jabuti de 2014. Essa faceta está bem explicada na obra editada pela Companhia das Letras.



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