O gênio obsessivo de Guardiola revelado



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Você sabiam que Guardiola detesta o tiquetaca? Nos anos de hegemonia do seu Barça cansamos de escutar que era o jogo de toques infinitos da equipe a marca do catalão. Como se ele apreciasse ter a bola como um meio de consumo perpétuo. E não é assim. Erramos! O técnico tem aversão a esse conceito. Seus times têm a bola como resultado de modelos de jogo que buscam chegar ao gol, tendo superioridade de peças nos espaços do terreno, tanto ao atacar como defender. É um enxadrista ludopédico. A posse da bola é um elemento de incessante busca do ataque. Não de simples domínio da bola como estética de jogo. Ele quer vencer. Dar espetáculo é consequência de sua anima vitoriosa, que a todo momento busca jeitos de escapar das armadilhas dos rivais e de superá-los. Está o tempo inteiro observando e refletindo para extrair o melhor do seu time.

Está no livro “Guardiola Confidencial”, escrito pelo jornalista e ex-atleta olímpico espanhol Marti Perarnau. O capítulo que revela isso chama-se “Ódio eterno ao tiquetaca”. Perarnau teve acesso ao vestiário do Bayern no primeiro ano de trabalho de Guardiola na Baviera e pode dissecar a mentalidade e as reações de Pep.

O livro é sublime, ainda que te deixe exausto quase o tempo inteiro pelo caráter obsessivo de Guardiola. Ele não respira. Não se conforma. E se tortura, se culpa, por resultados adversos. Aprendeu com o pai a não terceirizar culpas. Para se ter uma ideia, logo que chegou ao clube teve a perda do título da Supercopa da Alemanha. A derrota para o Borussia o flagelou a temporada inteira. Era o primeiro teste, quase um experimento, mas o caráter do técnico não vê suavidades assim.

É interessante descobrir com o passar das páginas como Guardiola valoriza o coletivo sem ignorar a importância do individual. A descrição do seu esforço para fazer Ribéry atuar como falso nove, ganhar terreno pelo meio, como Messi, é um exemplo disso. E o seu trabalho árduo, sem intermitências, não fecha os olhos para o fato de ser o futebol um jogo de imprevistos, imponderáveis, acasos. Pelo contrário. Entre linhas e linhas descrevendo a procura por melhorar o desempenho do time, há sempre uma observação sobre o fortuito.

Detalhe: é nessa primeira temporada pelo Bayern que Guardiola sofre a pior derrota da carreira de técnico – 4 a 0 para o Real Madrid, na semifinal da Liga dos Campeões. Resultado em que Pepe se viu renunciando a seus conceitos básicos – o livro esmiuça esse acontecimento. Imaginem o quão inconformado ficou!



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