Nilson: A hora do sim sem o descuido do não



nilsonFOTO: Ari Ferreira

 

A foto que ilustra este texto lamentoso é do craque Ari Ferreira, que não perde gol, seja cara a cara ou exija domínio absoluto da técnica e uma boa dose de intuição. Ela mostra o atacante santista Nilson, a bola e o gol, em um dos lances mais incríveis de tempos recentes do ludopédio. É o quadro que prenuncia a felicidade, mas que, depois de conhecido o seu desfecho, adquire outra dimensão. Torna-se o quadro que prenuncia o desespero. É como O Grito, de Edvard Munch.

Nilson teve a chance da consagração que é peculiar ao futebol. Uma consagração pontual para um jogador esforçado, sem dotes técnicos, que atua em um grande clube. Um enredo que vai do abençoado ao sádico. Como um Gabiru ou um Cocada. Mas que nada… Então digam: Que Deus da bola é esse que dá e tira no mesmo átimo? Para o reserva que ganhou oportunidade almejada por tantos, melhor seria o árbitro ter trilado o apito no início da jogada, quando os acréscimos já haviam estourado o previsto. Para perder, era melhor nem ter.

O corpanzil de Nilson não acompanhou a toada. A tentativa de dar o peteleco de primeira, sem a malemolência necessária, sem a picardia dos atacantes vocacionados, gerou um chute ridículo. Poderia ter ajeitado, talvez entrado com bola e tudo, sem ter humildade em gol. O anseio e a falta de apuro redundaram na perda irreparável. A circunstância pereniza.

As próximas noites de Nilson fatalmente serão de pesadelo com a bola bandida. A bola fugidia. Ou verá a definição sonhada, com a cabeça no travesseiro. É como o garoto que planeja os lances que executará no futebol do recreio. O que poderia ter sido. O futebol está na vida, e a vida não tem ensaio. Para Nilson, a hora do sim não teve o descuido do não, como na canção de Vinícius.



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