Um casamento feliz na Vila Belmiro



 dorival
F
OTO: Ivan Storti

Dorival Júnior (re)assumiu o Santos em julho passado sob descrédito. Os trabalhos recentes, em clubes grandes que lutaram contra o rebaixamento, alimentavam as dúvidas na crítica e em parte da torcida. Havia, porém, torcedores que ansiavam pelo retorno do treinador. A nostalgia do Peixe de 2010, campeão paulista e da Copa do Brasil com estilo bastante ofensivo e goleador, vivia presente. Apenas uma segunda oportunidade poderia ser a prova dos nove. E então vinha a questão central: Conseguirá Dorival, sem o trio Ganso, Neymar e Robinho, repetir agora o que fizera cinco anos antes? Havia sido aquele time fruto de uma composição feliz de talentos e sinergia tão-somente?

Estamos em novembro e o Santos de Dorival revive, em linhas gerais, o modelo de 2010. Um ataque envolvente e certeiro o coloca no cume das duas competições nacionais. Um time que patinava para fugir do rebaixamento no primeiro turno ocupa um estável lugar no G4 – cinco rodadas seguidas – e está na final da Copa do Brasil. O desempenho é elixir para os olhares, sejam eles santistas ou não, e sacramenta a ideia de que clube e treinador dão liga. Pedra de toque é o fato de o técnico abraçar a filosofia que está no coração da agremiação litorânea: apostar na base.

Assim como em 2010, o Santos atual tem o berço em seu esqueleto. Quando chegou, Dorival cravou Zeca e Thiago Maia como titulares. Os dois aparecem na lista de revelações do Brasileirão. Gustavo Henrique, outra cria alvinegra, tornou-se zagueiro titular na primeira chance que surgiu, por suspensão do voluntarioso Werley. A marca do time é o volume ofensivo, mas foram três mexidas na parte defensiva que deram solidez. Para completar, Gabriel, o Gabigol, artilheiro na temporada passada, reencontrou espaço após a “geladeira” imposta por Enderson Moreira e mantida por Marcelo Fernandes. O jovem atacante foi domesticado por Dorival e voltou a ter ótimo rendimento.

Outra estratégia usada na primeira passagem e repetida agora é tirar proveito nmximo da Vila Belmiro. São 15 vitórias seguidas do Peixe em seu alçapão e o treinador não se furta a sempre deixar claro que prefere mandar as partidas no local. Não faz política interna e nem externa, sua posição é de conhecimento público. No torneio mata-mata o Santos tem conseguido manter o bom padrão de jogo mesmo fora de casa, muito em função do modelo de disputa. Mas nos pontos corridos, a equipe deixa a desejar longe da Vila, e talvez seja esse ainda o calcanhar de Áquiles de um trabalho que tirou a teima e confirmou um casamento feliz.



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