Lampejos de Pato não fazem Seleção



patoFOTO: Nelson Almeida

Contra o Santos, Pato fez um gol de quem conhece do riscado. A matada no peito e o complemento sem deixar a bola cair no gramado, naquele momento ainda levemente encharcado pela abundante chuva no Morumbi, foram pura técnica. O lance, cravejado de talento, é mais um dos vários que ilustram o descompasso entre as qualidades do jogador e o rumo de sua carreira. No dia seguinte ao belo e solitário gol do Tricolor na derrota para o rival, o nome de Pato seguiu ausente de mais uma lista de convocados para a Seleção Brasileira. Dunga deu pinta de que sequer cogitou chamá-lo para os duelos contra a Argentina e Peru, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

A Irregularidade desponta como o ponto fraco do atacante. É indiscutível que faz sua melhor temporada desde que deixou a Itália de regresso ao Brasil. O problema é a oscilação entre atuações destacadas com gols de categoria incomum e partidas apagadíssimas. Esse zigue-zague na performance é a explicação mais convincente para que perca espaço, por exemplo, para o veterano Ricardo Oliveira na preferência do quadrado treinador caraninho. O santista tem nove anos a mais que Alexandre e lidera a artilharia do Campeonato Brasileiro. Raramente passa em branco.

Os altos e baixos criam nuvens de incerteza. No curto período em que foi técnico do São Paulo, Osorio encheu a bola de Pato, exaltou – para alguns até excessivamente – suas potencialidades e tentou alimentar seu jogo. Não à toa, o jogador foi mais efetivo e decisivo com o colombiano, deixando a gangorra para trás. O atacante parece da estirpe dos que necessitam de afago e compreensão. Nesse sentido, a saída do treinador ameaça ser um baque na sequência, ainda que lances como o da última quarta-feira gerem esperanças de que desta vez possa ter menos solavancos.

A indefinição sobre seu futuro é outro fator a abastecer a zona movediça em que flana o atacante. Voltará à Europa, mesmo que para um clube intermediário? Ficará no São Paulo, que precisaria, em meio a forte crise, obter portentosa cifra para mantê-lo? Voltará ao Corinthians, que agora já discursa favorável a essa hipótese? Curioso que mesmo com a desconfiança Pato seja um pé-de-obra valorizado no Brasil. O clube alvinegro sonha que possa reaver o investimento de 15 milhões de euros que fez em sua aquisição. Os bons momentos pelo rival São Paulo poderiam ser a catapulta. Mas a vitrine mais poderosa seria a Seleção, uma distante realidade. Gols como o de quarta são insuficientes diante da trilha de desconfiança que sua trajetória produziu.



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