A história mudou, e o respeito ao Santos voltou



san-saoSantos eliminou o São Paulo no Paulistão 2015 (FOTO: Miguel Schincariol)

Quando o Santos eliminou o São Paulo nas quartas de final do Brasileirão de 2002, abriu-se uma nova era para o clube da Baixada. As vitórias na Vila (3 a 1 ) e no Morumbi (2 a 1) sobre um rival regional e histórico, depois de uma campanha muito inferior na primeira fase, sedimentaram o terreno para que a geração de Diego e Robinho encerrasse o período de trevas e reavivasse a autoestima alvinegra. Dali por diante, os torcedores não ouviriam mais os cânticos de “parabéns a você” pelos anos de jejum de títulos. Mais ainda: o clube ratificaria o exorcismo do fantasma de clássicos estaduais ao sagrar-se campeão em cima do arquirrival Corinthians, também com dois triunfos. A dobradinha inauguraria um período em que jogar de igual para o igual e enfileirar sucessos em duelos do gênero, como era praxe nos tempos de Pelé, seria comum.

Entre as décadas de 80 e 90 do século passado, o Santos passou 15 anos sem sequer chegar à final do Campeonato Paulista. Sintoma evidente de um declínio técnico e moral. Nesse ínterim de sabor “infinito”, clássico era, via de regra, sinônimo de derrota. Foi uma bola de neve a solapar o amor próprio do santista. Os exemplos de que parecia haver certa versão clubística do “complexo de vira-latas” rodrigueano são fartos. Um deles aconteceu no quadrangular semifinal do Brasileiro de 93, ocasião em que o time chegou a sofrer virada nos minutos finais para o Corinthians quando o rival atuava com um atleta de linha no gol para suprir a ausência do goleiro Ronaldo, expulso. Outro, também uma virada, ocorreu na semifinal do Paulista de 99 diante do Palmeiras, também na reta decisiva, quando vencia por 1 a 0 até os 35 do segundo tempo e jogava pelo empate.

O panorama modificou-se a partir das vitórias sobre São Paulo e Corinthians e o título nacional de 2002. Nesta quarta, 13 temporadas após a reviravolta, o time começa a disputar com o Tricolor uma vaga na decisão da Copa do Brasil com status de superfavorito. Na trajerória, eliminou o Corinhians com vitória em Itaquera. Essa condição é fruto de momentos bem diferentes que as equipes atuais vivem, claro, mas ganha o acréscimo de uma estatística recente: nos últimos seis mata-matas em que se encontraram o clube litorâneo levou a melhor. São quatro semifinais de Paulista, um duelo pela Copa Sul-Americana e a pedra de toque, as quartas do Brasileirão de 2002. Eis o exemplo de um número que não pode ser cotejado com o biquíni, como na tirada algo machista atribuída ao falecido economista Roberto Campos: “Estatísticas são como biquíni, mostram tudo, mas ocultam o essencial”. O retrospecto do San-São “moderno” é categórico em escancarar que o Peixe voltou a ser respeitado, se não temido, pelos seus maiores rivais.



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