Aidar obtém mais um feito na despedida de Osorio



osiorioaidarFOTO: Ari Ferreira

Em seu cuidadoso e solene pronunciamento de despedida do São Paulo – em que manteve seu exemplar esforço para falar português – Juan Carlos Osorio fez agradecimentos especiais a Ataíde Gil Guerreiro e Milton Cruz. Citou o ‘apoio incondicional’ do ex-vice de futebol e enalteceu a amizade do auxiliar, a quem definiu como ‘um homem do futebol e para o futebol’. Citou ainda o elenco tricolor, mencionou nome de jovens jogadores, enalteceu o povo brasileiro, a torcida do São Paulo, os jornalistas, massagistas, roupeiros e ‘o senhor que corta a grama do campo’. Carlos Miguel Aidar, o presidente, não passeou na boca do treinador, nem ao menos indiretamente. A constrangedora omissão grita a aversão que o colombiano passou a ter à figura do cartola que comanda uma das gestões mais desastrosas e nebulosas do futebol brasileiro em tempos recentes.

Aidar, por suas atitudes, conseguiu ser rejeitado por um dos homens mais cavalheiros que já passaram pelo futebol brasileiro. A cada entrevista, Osorio tentou ser didático e claro, tratando o perguntador com delicadeza não muito comum ao meio. Não precisa ser um grande observador para perceber que seu principio é o de tratar o interlocutor como um igual, sem afetações ou ironias. Pois o presidente obteve esse inominável feito de irritar a tal ponto o ‘lorde’ que o incômodo transformou-se em rejeição.

Curiosamente, foi em meio a esse (des)governo de Aidar que um clube brasileiro teve uma das experiências recentes mais bacanas. O cartola, provavelmente tentando criar um fato novo e sair com os louros da ousadia, contratou um técnico estrangeiro com ideias que podiam arejar os conceitos por aqui. É inegável que Osorio chacoalhou a zona de conforto, proporcionou reflexões e gerou um necessário debate. Teimou com rodízio de jogadores e explicou a insistência nessa filosofia confrontando-a com o costume nacional de ver nisso a síndrome de Professor Pardal. Enquanto em redes sociais e microfones alguns o ironizavam, em especial aqueles presos a um excessivo pensamento ‘boleirista’, o técnico mostrou que poderia extrair mais do que se supunha de alguns atletas. Carlinhos, Thiago Mendes e, principalmente, Pato que o digam.

O fato de uma figura como Rogério Ceni dizer que aprendeu muito com o treinador é sintomático do que essa sua curta passagem representou. Diversas vezes, o capitão são-paulino enfatizou a qualidade dos treinos dados por Osorio e sua capacidade de fazer os jogadores entenderem o que deseja. Pena que a aventura tenha durado tão pouco.

A franqueza ao dizer que tinha perdido a confiança em Aidar foi encarada por alguns como insubordinação. Uma tradução simplória em um contexto que se sugeria mais complexo. Não fosse assim, o presidente o teria demitido sumariamente  ou o desautorizado publicamente. Não fez nem uma nem outra coisa. Deixou o barco rolar, como fazendo uma autoconfissão ou exibindo desinteresse assombroso pelo que diz dele um importante funcionário.

A falta de agradecimento a Aidar engrossa a sensação de que o sonho mexicano de Osorio poderia ser rivalizado pelo projeto são-paulino fosse o clube dirigido profissionalmente. Não é uma certeza, mas a falta de agradecimento dá direito à dúvida.

 



  • mura

    “o Palmeiras vem se apequenando” lembra quando o sr Aidar falou isso?
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    #ficaAidar vc é pior que o Eurico!
    !kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • PEDRO MELLO

    E vocês continuam atrás da gente, na maior crise de nossa história. Parabens

  • Edilio O. Batista

    Boa tarde…Nós, brasileiros, notadamente aqueles que torcem para o São Paulo. conseguimos notar a diferença que existe entre os treinadores daqui..nascidos no Brasil e um treinador, técnico acima de tudo, colombiano, humilde e trabalhador, ciente e consciente na sua forma de trabalhar, ou seja, seu esquema de jogo não fica concentrado em apenas 11 titulares, fica, isso sim, concentrado em todos os jogadores que pertencem ao elenco. Cada um que participou dos jogos , dirigidos pelo Sr. Osório, sabia o que fazer em campo. O técnico trabalhava de forma igual com todos, razão pela qual ele tinha plena consciência sobre seus rodízios….Ele não vive aquele mesmice, exemplo claro o do Sr. Muricy que somente sabia jogar na defesa…chuveirinho na área adversária, time base “imexível” (termo de um Ministro de Governo), sem chance de outros jogadores prestarem sua ajuda ao clube. Lamentavelmente, o São Paulo tem Aidar…e perdeu Osório…Melhor teria sido o inverso..Osório ainda técnico do SPFC e Aidar ex-presidente. Um presidente sem condições de assumir um cargo deste porte, dentro do futebol, pois nem bem chegou brigou com o Presidente do Palmeiras…O clube, São Paulo , passou a ser odiado por N outros clubes….Aaidar..aproveite o momento..saia..por favor…Osório, vá com DEUS…seja feliz, pois vc conseguiu fazer com que este time fragilizado, sem reposição, do Tricolor jogasse para frente, sempre…Um dia, quem sabe, vc retorna…Sucesso.

  • Antonio Braz

    Neto, bom dia!
    A passagem de Osorio pelo SPFC foi excelente em todos os aspectos, tratamento gentil com todos, sua filosofia de trabalho implantada nos treinamentos, o rodizio poderia de ter dado mais frutos se o elenco do SPFC fosse mais qualificado, alguns jogadores do elenco são fracos tecnicamente e não estão a altura dos demais, infelizmente foi constante a ausencia de titulares no time em decorrência de contusões, expulsões, chegou a ter 11 jogadores considerados titulares fora de combate em duas ou três partidas, em vários confrontos recentes de 3 a 4 jogadores sem poder atuar por contusões, exemplo é o caso de jogadores no estaleiro como Luiz Eduardo, Breno, Michel Bastos, Carlinhos, Luis Fabiano, algo de errado na preparação fisica do time pode ter sido a causa de tantas distenções musculares acarretadas nos jogadores.

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