Dentro e fora do alçapão?



vila vila vilaVila Belmiro

Um dos versos de “Leão do Mar”, marchinha do Carnaval de 1956 alçada a hino, diz: “Santos sempre Santos, dentro ou fora do Alçapão”. O estádio Urbano Caldeira, no bairro da Vila Belmiro, é orgulho para os santistas e comumente visto como amplificador das chances do time. Pequeno, seja para os antigos padrões de praças para multidões, seja para estes tempos de arenas modernosas, foi apelidado de alçapão por ser uma armadilha para os rivais. Ao mesmo tempo, a história alvinegra está coalhada de feitos magistrais longe de seus domínios. As lembranças da era de ouro, nos anos 60, remetem a uma versão do Santos cosmopolita, que assenhorou-se de estádios maiores, como Pacaembu e Maracanã, pela arte do seu jogo. Ainda assim, nessa época de Pelé e Pepe, a Vila foi reduto de proezas e temor para quem a visitava. A célebre goleada por 11 a 0 no Botafogo-SP, com oito gols de Pelé, por exemplo, aconteceu no local.

As gestões do Santos ainda não conseguiram lidar com o caráter sui generis do clube, o único grande do país que não tem raízes em uma capital. Uma evidente vinculação excessiva do Santos à Vila “mais famosa do mundo” é apontada por especialistas em gestão esportiva e jornalistas como obstáculo para o Santos ser competitivo financeiramente nesta era de capitalismo exacerbado. Para usar uma metáfora dos pontos corridos, o clube sempre ronda o Z4 quando o assunto é média de público e arrecadação de bilheteria.

Mesmo com a predominância de seus torcedores na capital, o Peixe pouco joga na parte de cima da Serra do Mar, não contempla seus fãs paulistanos. As razões são políticas também. Mas o item técnico é o mais esgrimido. Emblemático o que acontece agora. Desde que Dorival chegou, são nove vitórias consecutivas no estádio. A arrancada tem relação direta com a Vila. O treinador já externou sua predileção por atuar no litoral. Paralelamente, o Pacaembu passa por processo de licitação e imagina-se que o consórcio vencedor terá no Santos sua “menina dos olhos”.

O aspecto técnico não pode ser colocado de lado. Ao mesmo tempo, o bolso é fundamental. Equilibrar os dois é possível. E a história mostra que “dentro ou fora do alçapão” o Santos foi e é grande. Vide 2002, quando saiu da fila. Derrotas para Ponte e Lusa na Vila quase enterraram o sonho, e triunfos sobre São Paulo e Grêmio, no mesmo estádio, abriram caminho para a final. Na primeira fase e na decisão, venceu três vezes o Corinthians na capital. Nas finais dos três títulos da Libertadores, o Peixe levou o título na Bombonera, no Monumental de Nuñez e no Pacaembu.



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