Tite está contente. E ele tem razão



tite(Foto: Mauro Horita/AGIF/Lancepress!)

Após seu time chegar a impressionantes 15 vitórias em 22 jogos no Campeonato Brasileiro, Tite foi instado a falar de arbitragem. Tem sido tema recorrente em uma competição cravejada de erros crassos dos apitadores. Na resposta, o técnico do líder com folgas, há 14 partidas sem perder, tratou de sutilmente colocar o assunto para escanteio, avisando que sua atenção está no jogo. E desfilou dados:

– Fico contente com o desempenho da equipe, 14 finalizações, oito certas, aproveitamento alto. 60% de posse, cinco, seis modificações… Erros de arbitragem são dos dois lados. Teve lance de pênalti, bola longa, não vou reclamar… Quero ficar atento à minha alçada.

A resposta de Tite cumpre dois papéis. Um, mais óbvio, é exercer certa parcialidade “saudável”, de não contribuir, como comandante, para a grita conspiratória em favor do seu time e deixar que o jogo jogado fique inibido. A outra, mais relevante, é expor, com dados, que o desempenho corintiano justifica a vitória apesar do gol mal anulado do Fluminense. O árbitro errou em lance importante, mas quem viu o jogo testemunhou a ampla superioridade dos mandantes. E as estatísticas apenas corroboram o que foi visto no gramado.

O Corinthians foi melhor que seu oponente. A arbitragem está em xeque na principal competição nacional. A liderança corintiana é que não deveria estar em hipótese alguma. Os números da equipe são ululantes. Não à toa edificam a melhor campanha a esta altura na era dos pontos corridos. A não separação de joio e trigo é nefasta, maqueia virtudes e impede a devida valorização de um grande trabalho.

O contexto vivido pelo Corinthians após a eliminação da Libertadores sugeria terra arrasada. Alguns jogadores saíram, entre eles o principal, Guerrero, artilheiro do time nas últimas temporadas. Depois de um início de ano promissor, com atuações que geraram encantamento, Tite viu-se premido a fazer malabarismos. Foi encontrando soluções, deu padrão à equipe – uma reconhecida capacidade sua – e, em meio a muitos percalços com lesões, erigiu campanha de grande solidez.

Dizer que a graúda diferença de sete pontos para o Galo seria menor caso não tivessem ocorrido os erros de arbitragem é mexer com bola de cristal. O São Paulo faria o gol de pênalti? O Flu seguraria o empate? A equipe não viraria contra o Avaí? Nenhuma dessas circunstâncias pode ser impeditivo para exaltar as qualidades da equipe. Tite está certo em “ficar atento” à sua alçada. O resto, como diria Millor, é armazém de secos e molhados.



MaisRecentes

Rica em talentos, França rompe com paradigma recente



Continue Lendo

Espanha morre abraçada ao ‘tiquitaca’ odiado por Guardiola



Continue Lendo

Em cartaz na Rússia: ‘El secreto de sus Rojos’



Continue Lendo