Ronaldinho, nem mais um lampejo, uma faísca sequer?



ronaldinho                                                                                                           FOTO: Nelson Perez

Vivemos saudosos de Ronaldinho Gaúcho. Aos 35 anos, esperamos lampejos, brilharecos, estalos do jogador que encantou o mundo no início deste ainda novo século. A idade não é persuasiva o suficiente. Ricardo Oliveira, artilheiro do Brasileirão, tem o mesmo tempo de vida. Zé Roberto, homem de centenas de pulmões, é cinco anos mais velho. Até Marcelinho Paraíba, no simpático Joinville, um quarentão, tem aprontado das suas, como testemunharam os palmeirenses domingo passado. E do jogador do Fluminense bastaria um punhado de assistências, a arquitetura de jogadas decisivas ou uma invenção esporádica. Uma aqui, uma acolá…  Nada, nadinha. Houve um passe na estreia, contra o Grêmio, e só.

Nos anos recentes, Ronaldinho passou a perambular de um clube a outro. O Tricolor Carioca é o terceiro em que aterra no Brasil. O zigue-zague, que incluiu curta passagem pelo até então desconhecido Querétaro, do México, sugeria uma espécie de Globetrotter ludopédico. No circuito deu suas contribuições. Foi protagonista de um jogo estupendo, que teve como antagonista Neymar, no frescor dos seus primeiros anos: o 5 a 4 para o Flamengo contra o Santos. E levou o Galo ao inédito título da Libertadores, o que não é pouco pelo feito. Poucas foram as performances que nos dessem um suspiro do velho Ronaldinho.

O imaginário queria mais, esperava mais, vivemos saudosos. Ainda dá tempo, mas a fé evanesce. Ronaldinho não parece afim de reeditar um pouco dos seus bons momentos. Suas entrevistas, calmas, pacatas, passam a impressão de um jogador que serve para compor grupos e fazer trabalhos. Como se fosse uma peça normal, não um sujeito duas vezes eleito o melhor do mundo. Cadê aquela fonte de inspiração mágica? O auge desapareceu, processo natural. Mas não há nem mais chispas, faíscas que reiterem o que o passado lhe concedeu?

Ronaldinho sugere ser dessas criaturas abençoadas pelo talento, que o realizaram plenamente por um certo período, e dá-se por saciado. Mesmo que o corpo não tenha pedido arrego, como o do xará Ronaldo, que parou por força do físico, a alma deve ter se aposentado. A saudade, assim, senta no meio-fio e chora, como as criaturas das crônicas de Nelson Rodrigues

 

 



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