Temos trocado os pés pelas mãos no ‘foot’



As mãos, os antebraços e os braços, quem diria, vêm sendo mais comentados que os pés dos atletas no Brasileirão. E não é por causa de marcantes defesas de goleiros, como as do atleticano Weverton em chute de Ricardo Oliveira, e do palmeirense Fernando Prass em cabeçada à queima-roupa de Guerrero, na rodada do último fim de semana. O esporte que tem o pé na sua raiz etimológica, o anglicano “foot”, o tem trocado no protagonismo pelas mãos graças às polêmicas de arbitragem. Há quem sussurre que rebatizar a modalidade, por ora, com o mesmo nome de seu coirmão, o handebol, faria todo o sentido.

Nas semanas recentes, uma cachoeira de lances em que pênaltis foram marcados ou ignorados tiveram o mesmo roteiro. Chute na área, bola encontrando mão ou braço do adversário e, soa o apito, é marca da cal. Ou segue o jogo, e muito burburinho. O que une as discussões é algo bastante subjetivo: a intenção. Como não chegamos ainda a ferramentas capazes de ler os pensamentos alheios – ainda bem –, fica a cargo dos árbitros definir, em um átimo, se foi ou não infração. A interpretação, que dá supremos poderes a um juiz de futebol, é senhora nesse quesito.

Em 2014, a CBF, querendo reduzir essa margem interpretativa, orientou os apitadores a respeito desses lances. Entrou em cena um tal de “correr o risco”. Ao dar um carrinho na área, o sujeito, em pleno voo corporal, ”corre o risco” de ter a bola beliscando mão, antebraço ou braço. É como se o conceito jurídico do “culposo” – quando alguém não tem intenção de cometer um crime, mas sabe dos riscos de determinado comportamento – entrasse em cena. A recomendação não tem surtido o efeito esperado. Seja porque nem todos os árbitros a têm seguido à risca, seja pela configuração de alguns lances, em que a interpretação continua sendo necessária. Enquadram-se neste segundo quesito os pênaltis não marcados para o São Paulo, contra o Corinthians, e para o Atlético-MG, contra o Grêmio.

A subjetividade das marcações não acabará por inteiro sem uso de tecnologia. E como a relutância do mundo do futebol é grande nesse aspecto, seguirão em pauta os comentários e queixas. O fato de as possíveis falhas de arbitragem rivalizarem com belos lances e outros aspectos de um jogo não significa deixar que sejam os maiores protagonistas. É neste ponto que talvez haja uma troca dos pés pelas mãos, como diz o provérbio. Basta que se faça uma escolha: valorizar o jogo jogado ou o apito apitado? Aos personagens do futebol é dada a escolha!



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