Torcida pode ser o pulso do jogo



torcida do flaTorcida do Fla lotou Maracanã contra o Santos (FOTO; Wager Meier)

Antes de a partida começar, a câmera aérea focaliza o estádio por cima. O gigante de concreto abriga um show de pirotecnia, cânticos e adereços com predominância nas cores do clube mandante. É batata! A TV exibe ao vivo o entusiasmo plástico dos que antes seriam arquibaldos e geraldinos, mas em tempos de arenas travestem-se de cadeiraldos ou cadeirinos, à predileção do leitor. O fato é que minutos antes do jogo, seja ele decisivo ou não, clássico ou não, com público engajado a transmissão dedica minutos a mostrá-lo em atração à parte. Merecia até uma chamada soberana no intervalo da programação: “Às 21h50 não perca a festa da
torcida”. E ela irá ornar a partida do apito inicial ao final.

Estádio cheio é o pulso do futebol. O jogo é outro quando cadeiras e blocos de cimento estão fartamente ocupados. O  efeito é geral. No meio da massa, impossível ficar inerte. Na poltrona de casa, os olhos se fixam na tela. E no campo, o sangue e a alma do jogador mudam de temperatura. Na última rodada do Brasileirão, a 16ª, dois jogos exemplificam o quanto uma casa repleta de gente pode interferir no grau de vida de uma partida. No Mineirão, mais de 47 mil pessoas viram Atlético-MG e São Paulo disputarem um jogo  franco, de múltiplas chances de lado a lado. Euforia e quatro gols. No Maracanã, público maior ainda – acima de 60 mil –  acompanhou o ótimo 2 a 2 entre Flamengo e Santos, com reação dos visitantes após o Rubro-Negro abrir 2 a 0 e, nos minutos finais, os cariocas perdendo uma série de gols.. Estivessem às moscas, tenho sérias dúvidas de que veríamos jogos tão intensos e atraentes.

Há jogos com ótimo público que são ruins, com pouco ou nenhum gol. Mas dificilmente essas partidas são desanimadas (desprovidas de alma), arrastadas. Basta tomar os campeonatos Alemão e Inglês como exemplo. Os dois têm as melhores médias de público do mundo e poucos jogos modorrentos. Se é verdade que o nível das partidas se beneficia do poderio econômico dos clubes, repletos de astros do mundo todo, não dá para ignorar a contribuição da ocupação dos estádios para injetar emoção nas disputas.

Estádio repleto pode não ser capaz de transformar um cabeça de bagre em atleta refinado, mas certamente aumenta a fome de quem está em campo. O Campeonato Brasileiro tem sofrido ano a ano com o chicote da crítica. Algumas rodadas com alta média de público, como a última, podem ser só um sinal de fumaça. Mas também pode ser a esperança de que o torcedor esteja disposto a interferir no pulso dos jogos.



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