A CBF não quis Guardiola e o azar foi brasileiro



Guardiola(Foto: Josep Lago/ AFP)

A CBF não quis Guardiola. Deu de costas para o técnico mais festejado deste (ainda) início de século XXI. O técnico que ofereceu um banquete de bom futebol em um punhado de anos, deleitando os amantes do jogo, foi desprezado pela entidade que pavoneia ser ela pentacampeã e exemplo administrativo. Em 2012, o LANCE! revelou o desejo do espanhol de assumir o escrete. A CBF não quis. Aversão ao estrangeiro? Crença demasiada de que técnico o Brasil faz em casa? Objeção à ousadia? É fácil apostar em uma mistura de todos esses elementos. Ao recorrer à dupla Felipão e Parreira, acreditou que, como na música de Cazuza, o futuro repetiria o passado como um museu de grandes novidades.

O 7 a 1 só pode ter sido um presente de grego dos Deuses da bola a tamanho sacrilégio da cartolagem nacional. Não se recusa um gênio à toa. O futebol brasileiro jogou fora a oportunidade, por meio de seu símbolo maior, de dar um salto. A Seleção com mais títulos mostraria estar aberta para o mundo e ao que ele tem de melhor a oferecer. Se Guardiola disse que seu vitorioso Barcelona da posse de bola e do jogo fluido apenas executava o que o futebol brasileiro do passado lhe ensinou, estava dada a chance de um reencontro do jogo nacional com suas raízes. A CBF não entendeu o enredo e recorreu ao samba de uma nota só.  Mais cômodo e menos inventivo.

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Dirão alguns – talvez até muitos – que era temerário inovar justo em um Mundial disputado em casa. Será mesmo? Soa rococó dizer algo assim em meio ao futebol internacionalizado, em que jogos de múltiplos campeonatos são vistos em todos os continentes. Em que boa parte dos astros se enfrenta a todo momento em competições interclubes, se conhecem, e a linguagem se universaliza. Ainda que os selecionados nacionais preservem alguma essência (o que é legal), dizer que seria um choque cultural é bastante duvidoso.

Não precisa ser adivinho para dizer que, tivesse a CBF abraçado a causa Guardiola, o 7 a 1 não teria acontecido. O Brasil poderia não ter sido hexa, claro, pois a Alemanha seria forte do mesmo jeito e o futebol não é um programa de computador.  Mas com Pep a equipe teria passado por uma preparação tática e técnica bem superior. Não teria privilegiado aspectos motivacionais em detrimento do estudo do jogo. Conhecedor como é das filigranas de uma partida, deixaria a equipe mais preparada para tamanho desafio. E se o título não viesse, a queda seria digna. A CBF não quis! Azar de todos nós!

 

 



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