A pirâmide de Parreira e os fatos



parreiraFOTO: Igor Siqueira

Acossada por um novo vexame da Seleção Brasileira, a CBF convocou um conselho de notáveis para coletar sugestões a fim de acudir o futebol nacional. O grupo, reunido no edifício até pouco tempo atrás batizado de José Maria Marin, foi formado por ex-técnicos da Seleção Brasileira. Entre eles Parreira e Zagallo, campeões de relevância indiscutível na história do futebol nacional, prestigiosos, mas que parecem desconectados da realidade do futebol moderno. No ano passado, Parreira conquistou sim um título mundial, o de frases surreais. Antes do Mundial, falou que o Brasil estava com a mão na taça, ignorando as dificuldades naturais de uma Copa do Mundo. Depois dos 7 a 1, quando o silêncio dos protagonistas era o mais recomendado – fez parte da comissão técnica -, declarou que a CBF é o Brasil que dá certo. Foi ele mesmo quem leu a carta emotiva, de efeito consolador, de Dona Lúcia, episódio mambembe do pós-fracasso. O carismático Velho Lobo, tetracampeão (somando os dois como jogador, um como técnico e outro de auxiliar), saiu do encontro entoando os velhos chavões de amarelinha. Pachequismo totalmente fora de hora.

E MAIS:
> Em reunião, técnicos falam em fortalecer clubes antes de pensar em Seleção
> Temos que ver o lado positivo, afirma Dunga sobre o 7 a 1

Na saída da reunião, Parreira mencionou uma espécie de ata do encontro. Segundo ele, o futebol brasileiro precisa funcionar de forma piramidal, com os clubes situando-se na base e a Seleção no topo. Só um louco irá discordar de tamanha obviedade. O problema é que a ideia é descrita pelo mesmo técnico que sempre citou a importância de os jogadores atuarem fora para poder servir a Seleção e, como elencado no parágrafo acima, considera a CBF um êxito. Se a entidade é tão maravilhosa e exemplo para o país por que nunca fez essa pirâmide funcionar? Por que sempre destrata o calendário, deixando os clubes desfalcados nas datas Fifa e dando pouco tempo para excursões que trariam ganhos financeiros e de imagem? Essa incoerência entre discurso e prática é que é difícil de engolir, apropriando-se do clássico fraseado de Zagallo.

Como escreveu Tostão em sua coluna de domingo, na Folha, vemos muito blablablá e pouca ação. Caso a Seleção Brasileira tivesse levado o título da Copa América – algo normal, em especial se Neymar não tivesse sido suspenso – haveria uma exaltação de Dunga e sua capacidade vencedora e vingaria a ideia de que as coisas caminhavam de vento e popa. Seria reforçada a mensagem de apagão na semifinal da Copa do Mundo. Com a derrota para o Paraguai, a CBF quis dar uma resposta de tom muito mais político que essencialmente preocupado com estado de coisas que aflige o jogo no país pentacampeão.

Por enquanto, pirâmides só mesmo as egípcias, patrimônio histórico da humanidade!



  • Vicente

    Comparo o futebol brasileiro atual com um ICEBERG.
    A parte visível (Clubes e Seleção) e que são a razão da paixão do torcedor, está num nível deprimente. Os Clubes todos falidos ou lidando com situações de difícil sobrevivência. A Seleção é o que estamos vendo.
    A parte submersa do ICEBERG, que é 10 vezes maior que a visível, no futebol é representada por toda a estrutura que suga do esporte (Federações, Confederações, empresários, mídia, etc). Vale observar que todas estão muito bem obrigado, com seus caixas abonados e com as pessoas nelas penduradas pensando formas de tirar algum proveito pessoal.
    Há algo de errado neste reino!!!

  • Carlos Henrique

    Não acho errado você convocar para essa reunião pessoas com passado e presente vividos na seleção brasileira, independente de fracasso e sucesso. Tudo e válido, ouvir a opinião de alguém que fracassou pode abrir a mente de alguém que ainda procura o rumo da primeira vitória significante, mesmo quando o discurso é “mais do mesmo” como provavelmente foi.

    Temos que encontrar uma maneira de dar importância ao que realmente importa; exemplo é o poder absoluto que os árbitros têm hoje, justamente na época em que, na minha opinião, a arbitragem brasileira passa pela maior crise que eu já vivenciei, por falta de qualificações, falta de profissionalismo e falta de ética muitas vezes. A mesma situação se repete com os jogadores que são cada vez mais deficientes tecnicamente, mais relapsos fisicamente e ignorantes taticamente, o que me sugere que deveriam ser cobrados com maior rigor, mas não é o que acontece. Amparados pela lei e por dirigentes com planejamento medíocre, onde contratam sem embasamento, sem conhecimento, só para suprir necessidades aliadas à politicagem, à bom relacionamento, enquanto nas categorias de base dos nossos clubes um enxame de empresários e sanguessugas velam o enterro do talento, pois hoje o jogador tem que ter “biotipo” e não talento.
    Cadê o Leonardo para administrar e criar administradores, cade o Muricy pra ensinar que categoria de base ensina fundamentos e libera o talento criativo, cadê o Cesar Sampaio pra mostrar que com ética e caráter se chega sim a uma carreira vencedora. Cade a garra e a superação do Dunga? Cadê a malícia do Zinho ou do Djalminha? Cadê a genialidade do Zico? Paulo Cesar Caju só sabe criticar, e pra mim, pela cultura que somente o futebol pôde proporcionar a alguém como ele, é muito pouco. Tostão? Rivellino? Raí? Toninho Cereso? Falcão, quer fortuna do Goiás (o bolso dele só ele que pode julgar, quem sou eu) cade você Falcão? Luxemburgo, Osvaldo de Oliveira, Tite, Muricy, Ricardo Gomes, Mano Meneses, Cristóvão Borges, Guto Ferreira, Celso Roth, Felipão, Renato Gaúcho, Cuca, Levri Culpi, Enderson Moreira, Falcão, Silas, Ricardo Drubsky, Abel Braga, Marcelo Oliveira, Doriva, Adilson Batista, Nelsinho Batista e seu Filho, Marquinhos Santos, Gilson Kleina, Argel e tantos outros, será que são todos incapazes?

    Sócrates sempre fará falta, mas no cenário que temos hoje eu duvido que ele se omitira como vejo muitos se omitindo.

  • Omar

    Certamente uma conversa de 2 horas com profissionais desatualizados, apenas servirá para confundir ainda mais o tico e o teco do dunga, pois todos saíram da reunião achando que o futebol brasileiro ainda não está no século 21.
    Ouvir zagalo, parreira e lazarone, as maiores mentiras como técnicos da seleção só pode ser brincadeira.
    Se o marco polo quisesse mesmo resolver o problema, contrataria uma equipe multidisciplinar conhecedora e atualizada em futebol, administração e marketing, solicitaria um projeto de reconstrução do futebol brasileiro, o validaria com uma equipe de dirigentes e profissionais do ramo qualificados e posteriormente o implementaria. Siiiimmplesss Asssiiiiimmm.

  • everton

    E o Bom Senso FC ? Foi chamado? Falar de futuro no futebol e não chamar quem está atuando hoje e reclamando condições melhores não faz sentido.

  • Ah que saudades de quando o Dunga era volante…junto com Mauro Silva, na criação Mazinho ou Raí e Zinho…na frente só Bebeto e Romário.

    Não tínhamos que vender os jogos…ou acham que a vitória nos pênaltis para o Paraguai foi um resultado que aconteceu naturalmente, mero fruto da incompetência?

    Acham que está ruim? E se levássemos mais sete da Argentina? O que seria?
    Uma mão na bola dentro da área, de um zagueiro considerado top…estranho não???

    Brasil entregou sim, para ter a certeza de que outro vexame não se repetiria em menos de 1 ano.

  • MARIO

    Sempre as mesmas moscas querendo mamar nas tetas da CBF. É assim que querem reformular o futebol brasileiro????

  • MARIO

    Não seria melhor contratar uma assessoria da Confederação da Alemanha de Futebol, que reformularam o futebol naquele país, do que ficar ouvindo sempre as mesmas raposas do futebol brasileiro, ja totalmente ultrapassados.

  • Eduado Amorim

    Boa tarde;

    tudo muito lindo tudo muito bem;
    podemos dizer que de 32 jogadores de uma possível lista de convocação 28 jogam em times TOPS do mundo.
    Dai veem dizendo que o futebol brasileiro está em decadência!
    Discordo; Peguem esses mesmos jogadores e coloquem na mão de um treinador europeu (Pepe Guardiola), tenho certeza que ele faria a maior seleção do mundo ser o Brasil Novamente.
    Deixamos de ser grande quando a NIKE colocou em nosso agasalho o nome (brasil) com (b) minúsculo.
    deixamos de ser grande por míseros milhões.
    Todos na CBF já estão milionários!!!
    Que tal agora deixarem nossa seleção voltar a ser GRANDE novamente.
    O humilhante não foi perder de 7×1, humilhante está sendo ver um gigante que parece que não adormeceu, pelo que vemos está em sério risco de morrer.

  • Edu

    Acredito que nosso maior problema esta sim na base da pirâmide (os clubes) , mas o principal que ninguém fala é este campeonato brasileiro de pontos corridos com 38 rodados , isso esta sangrando as despesas dos clubes e acabando com a qualidade do nosso futebol , um campeonato onde um clube já entra com 20% de chances de cair para serie B , leva os dirigentes a fazerem loucuras ,trocar treinadores a cada rodada , buscar jogadores medianos no mercado sul-americano , veja bem se tivemos um campeonato com uma formula mais curta , onde os clubes que brigarem pelo rebaixamento fossem ranqueados em duas temporadas antes de cair ( você pegaria os 4 últimos clube do campeonato , faria a analise das ultimas duas temporadas os dois piores ai sim seriam rebaixados ) , onde eu quero chegar com isso !!
    Com um campeonato mais curto e justo os clubes poderiam encurtar o elenco , trazendo qualidade de jogadores e não quantidade e mesclando com a base , uma vez que hoje todos clubes tem medo de colocar jogadores da base e brigar para não cair , hoje os clubes tem que ter um elenco grande , ai buscam jogadores medíocres , fica este campeonato de baixo nível técnico ,sem contar que o desinteresse da torcida pelo campeonato acaba faltando 10 rodadas entes do fim , onde muita coisa já se definiu , ou seja os clubes tem todos custo , mas as receitas vão diminuindo , é hora de montar um campeonato de qualidade , com futebol de verdade , treinadores sem medo de ousar , mesclar o time com a base , jogar para frente , sem medo de perder 3 jogos e serem demitidos .

  • Carlos Ramos

    Palmeiras muitas contratações, destino lugar nenhum!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK…………………………

  • jorji

    O único que fala de forma sensata no atual momento do futebol brasileiro é o Vanderlei Luxemburgo, o problema do futebol brasileiro é o dinheiro, se os grandes clubes do futebol do nosso país tivesse um orçamento como os clubes europeus, com certeza até a seleção melhoraria, já que os jovens jogadores permaneceriam aqui no Brasil, os 7 X 1 não pode causar tanta comoção, perdemos e bola pra frente, fala-se muito asneira, na desorganização vencemos cinco copas do mundo, hoje os campeonatos disputados aqui no Brasil são mais organizados, lembram dos tapetões de antigamente? mesmo assim vencemos cinco vezes, o futebol é em parte retrato de nossa sociedade, corrupta, desorganizada, violenta!

MaisRecentes

Guttman, uma bela e vitoriosa trajetória



Continue Lendo

Palmeiras x São Paulo: rivais contra o vexame



Continue Lendo

Neymar, entre a guilhotina e ‘la vie en rose’



Continue Lendo