O pasmo do Messi argentino diante da derrota



messi
FOTO: AFP

A expressão de Messi parece sofrer uma mutação quando o camisa 10 atua pela Argentina. O cenho tranquilo que carrega pela equipe catalã fica sério e preocupado ao defender as cores de sua pátria natal. Essa transformação de semblante possivelmente seja um retrato da pressão que sofre por ter que fazer na sua seleção o que faz às pampas pelo Barcelona. Isso significa fazer gols driblando três, quatro adversários, comer a bola, dar assistências decisivas. Verdade que já fez coisas do tipo com a camisa argentina. Vale lembrar, por exemplo, o golaço contra o Irã na primeira fase da Copa, quando o jogo caminhava para um constrangedor 0 a 0 – haverá quem ironize com um “ah, contra o Irã até eu! -, ao entregar de bandeja o gol para Di Maria no dramático jogo contra a Suíça, nas oitavas do mesmo Mundial, e nas tantas articulações na goleada sobre o Paraguai, na semifinal da Copa América.

Mas a sombra do jejum de títulos da Albiceleste agregada às comparações com Maradona são os dínamos da cobrança. Sem levantar taça, sobrevêm as críticas inclementes.

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Quando Alexis Sanchez preparava-se para correr para a bola que daria o inédito título ao Chile, e jogaria mais uma camada de peso nas costas de Lionel, a câmera focalizou Messi pasmo. Como incrédulo por mais uma vez ver bater na trave uma conquista pela Argentina. Assim como na Copa do Mundo do Brasil, o camisa 10 não reeditou nesta Copa América o brilho rotineiro do Barcelona. Aqui o adjetivo faz toda a diferença. Brilhar é uma rotina para o meia na Europa. Ainda assim, sempre chamou o jogo, repetiu as passadas rápidas com bola colada no pé, deu passes, não sumiu. Ironicamente, foi o único cobrador de sua seleção a marcar na decisão – Higuain e Banega perderam. Caso o título ficasse com os platinos diriam que não se omitiu. Assim é o futebol.

Na final do Mundial, contra a Alemanha, Messi perdeu um gol atípico para seu padrões. Uma jogada que pelo Barça está cansado de fazer com definição letal. O futebol é apinhado de detalhes e são eles que moldam o resultado. Nas últimas três competições importantes com Messi, a Argentina chegou em duas decisões, tendo perdido uma na prorrogação e outra nos pênaltis. Na Copa América que sediou, caiu também na marca da cal para o Uruguai.

Com 28 anos, Messi ainda deve ter algumas oportunidades de ser campeão pela Argentina – dois Mundiais pela frente, possivelmente. Enquanto uma conquista não se realizar, sua expressão terá sempre o peso da responsabilidade.



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