Copa América de exemplos argentinos



argentina

FOTO: Cleber Mendes

A seleção argentina pode encerrar jejum de 22 anos sem um título profissional repleta de jogadores extraordinários do meio para a frente. Talvez nem a Alemanha faça frente nesse quesito, embora no conjunto e estilo ainda pareça mais forte. O quarteto titular Messi, Pastore, Di Maria e Agüero é capaz de toque de bola, improviso e definição raros, como se pôde ver na semifinal contra o Paraguai. De quebra, há Tevez e Higuain no banco. Essa força ofensiva em profusão só não deve estar levando o técnico do Chile a arrancar fios de cabelo porque ele não os têm mais.

Jorge Sampaoli é argentino, bebe na fonte de outro argentino, Marcelo Bielsa, e gosta do jogo ofensivo, arrojado, com troca de passes e se movimenta bastante. Elevou o nível do futebol do país andino primeiro dirigindo a Universidade de Chile e, agora, a seleção. Para coroar o trabalho que já é considerado exitoso, e diante dos fanáticos torcedores que cantam “chi-chi-chi-le-le-le”, terá justamente que frear a torrente de ataque do esquadrão da sua terra natal. Seu desafio é derrotar a escola que forjou o espírito de seu jogo.

Esse enredo de desfecho da Copa América sugere que hoje o futebol dos hermanos está acima do brasileiro. O contexto todo berra essa preocupante diferença. Enquanto a Seleção Brasileira não tem quem possa auxiliar Neymar no seu protagonismo, Messi conta com vários parceiros de alta técnica. E o fato de a Argentina estender seus tentáculos pelos vizinhos, com treinadores que monopolizaram as semifinais do torneio continental, o que precisa de muito pachequismo para relativizar, lança sinais ainda mais fortes de que à bola brasileira urge se reinventar em conceitos e formação se quiser retomar sua banca.

Constatar essa realidade não significa dizer que no confronto direto a Argentina vá triturar o Brasil ou que nos próximos anos os platinos devorarão títulos e o país pentacampeão assistirá de camarote. A questão é exatamente descolar-se da síndrome “resultadísta” que tornou-se uma praga na terra verde-e-amarela. E que vem desde a categoria de base, preocupada em embalar pé-de-obra tipo exportação, descuidando da essência que deu fama ao estilo nacional, até a mentalidade dos técnicos figurões e da cartolagem. Dunga foi convocado para ser o bombeiro dos 7 a 1 com a chancela de bons resultados na primeira passagem, não na sua capacidade de conduzir a Seleção ao caminho do que se faz de melhor hoje no futebol mundial. A Copa América terminará argentina mesmo que o campeão seja o Chile e o Brasil sai dela preocupado e aflito.



MaisRecentes

Recortes do precário futebol brasileiro



Continue Lendo

Rica em talentos, França rompe com paradigma recente



Continue Lendo

Espanha morre abraçada ao ‘tiquitaca’ odiado por Guardiola



Continue Lendo