Seleção Brasileira reflete o ‘mudar para deixar como está’



dunga                                                                                                                                                                                          FOTO: Cleber Mendes/LANCE!Press

Ao escolher Dunga como resposta ao maior vexame da história do futebol brasileiro, a cúpula da CBF seguiu os preceitos do príncipe de Falconieri, no romance O gatopardo, de Tomasi di Lampedusa: “Algo deve mudar para tudo ficar como está”. Os cartolas acreditaram na ideia de que a traulitada da Alemanha não passou de fatalidade. Diante dessa ideia, e sabedores de que, dadas as circunstâncias, não poderiam manter Felipão, foram buscar um dos seus genéricos: Dunga. Um homem que reza pela mesma bíblia filipônica, a que prega ser o resultado o nosso pastor e nada nos faltará.

A dupla Marin-Del Nero – que perdeu a primeira peça por “tenebrosas transações” – recorreu a Dunga deixando intacto o teimoso principio reinante na entidade desde os tempos de Ricardo Teixeira. O resultado é que interessa, o resto não tem pressa. Crentes de que a primeira passagem de Dunga fora boa e sua demissão um erro, algo compartilhado por parte de público e crítica, os cartolas foram recapturá-lo como a salvação da lavoura. Fizeram ouvidos moucos para o apelo de muita gente para uma mudança de mentalidade. Ignoraram Tite, que aparecia como melhor técnico do país na ocasião e mostrava-se interessado em absorver o que se vem fazendo de melhor, e Guardiola, que aparecia como melhor técnico do mundo e mostrava excitação por dirigir o Brasil.

Deram de costas para a essência do massacre, ignoraram a advertência feita pelo mesmo Guardiola de que o fino estrato da Europa andava jogando o jogo que antes era a identidade brasileira. Não enxergaram que o atropelo germânico foi uma imposição de um estilo sobre estilo algum. Não quiseram remodelar, apenas manter, com outro nome, a concepção de busca apenas por resultado que vem sendo a erva daninha do futebol nacional nestes tempos.

No aeroporto após a segunda a eliminação seguida da Seleção Brasileira para a paraguaia em uma Copa América, Dunga expôs, em uma tacada só, sua dobradinha essencial: o fetiche pelo resultado e a bílis contra os críticos. Disse o técnico que quando conquistou o torneio, em 2007, ouviu que o que valia eram eliminatórias e Copa do Mundo. Então agora “cobrou” que valha o mesmo raciocínio. O técnico, que ameaçou culpar uma virose pela vexatória eliminação, foca apenas no resultado e no ressentimento. Não ameaça, em nenhum momento, aprofundar suas ideias. Atende, assim, aos anseios da sua chefia, que tem esse mesmo olhar.

Del Nero disse que manterá Dunga e pontuou estar a Seleção Brasileira no mesmo nível das demais no continente. O dirigente que comanda o futebol cinco vezes campeão mundial, sinônimo por décadas de jogo bonito no mundo, resigna-se em ver-se em pé de igualdade com o restante. Para ele, o importante é ser competitivo nas eliminatórias e, depois, no Mundial, no seu conceito de competitividade. Imagina que seja aquele de que se fizer 1 a 0 no fortíssimo Paraguai, deve abdicar de ditar o jogo, como aconteceu no último sábado, e segurar a classificação. O 7 a 1 completará um ano e, como podemos ver, nada mudou. Ou melhor, mudou para ficar como está.



  • jorji

    O importante é o resultado, se classificar para a próxima copa do mundo, e vencer na Rússia, o time brasileiro não é ruim, hoje é o segundo melhor elenco na America do Sul, perdendo apenas para a Argentina, no mundo fica entre os cinco melhores, com a Alemanha, Espanha, Holanda e Argentina, o que está faltando é entrosamento, me parece que o time não dá liga, falta um jogador que coordene o meio de campo como já fizera o próprio Dunga, e temos bons exemplos de outras seleções como o italiano Pirlo, o espanhol Xavi, o francês Vieira, um time que jogue de forma compactada em todos os setores. São poucas as seleções do mundo que conta com vários bons jogadores que atuam como titulares nos melhores times da Europa, como o Neymar e Daniel, Oscar, Willians, Fernandinho, Marcelo no Real Madrid, Thiago e David Luiz no Paris S. G., Miranda, etc, um excelente elenco mas um time desordenado em campo, joga sem personalidade, mas individualmente nada deve às melhores seleções, o que falta é um jogador de personalidade em campo que comande esse time, como o próprio Dunga, duas vezes campeão da copa America, campeão mundial juvenil, de copa do mundo, vice de uma copa e Olimpíadas, sempre como o grande capitão!

  • Frank

    Enquanto a escalação da Seleção Brasileira estiver atrelada a vontade de uma Emissora de Televisão, a Patrocinadores e a Empresários, estaremos fadados a cair no ridículo.

  • José Nunes

    Caros leitores, amantes de futebol brasileiro, eu disse “de futebol” e não “do futebol”, já passou da hora dos cartolas serem profissionalizados e por tempo determinado. Com relação à equipe ‘de futebol’ brasileiro, devemos (torcedores e mídia) reivindicar que ela seja formada por jogadores que atuem no país, com exceção de um ou outra peça excepcional de fora. Podemos sim formar boas equipes/elencos para nos representar em qualquer torneio promovido pela Roubebol ou F.I.F.A. (Federação Internacional de Falcatruas e Associações).

  • rolando lima

    É assustador a cara de pau desses caras. Continuam com os mesmos erros e vícios, destroem uma das histórias mais lindas do futebol mundial, colocam uma seleção de ponta no nível de qualquer timeco de segunda divisão, com convocações duvidosas e arremedos de esquema tático, conseguem um dos maiores vexames do futebol mundial (7×1), por pouco não passam por outro mais vergonhoso ainda (o 6×1 da Argentina seria pra nós se o Paraguai não tivesse passado), e continuam a se declarar preparados e aptos para resgatar o futebol que encantou o mundo…. Assustador mesmo.

  • Boa Noite,Discordo de alguns amigos hoje não temos NENHUM tecnico brasileiro que possa treinar nossa seleção nem o Tite (pode ter ganho mais joga retrancado e feio) para mim o Guardiola ou algum desses tecnicos argentinos que estão trazendo mudanças aos times sul americanos, discordo também do amigo que diz que deviamos revendicar jogadores que joguem no Brasil, realmente seria bom se tivessemos jogadores a altura , coisa que nós falta. pois os jogadores que não vão embora já nas categorias de base, pouco jogam no profissional e já são vendidos e aqui ficam os que não tem mercado, então imagine jogar na seleção, temos que escolher os melhores e esses estão no exterior.O problema é que os tecnicos daqui não sabem é montar uma boa equipe, basta ver o que fizeram na seleção. Antes tinhamos varios craques juntos Ronaldo, Ronadinho, Kaká,Rivaldo antes ainda Romário Bebeto e hoje craque mesmo só o Neymar ai fica aquela mesma coisa que fazia o Muricy no Santos “Joga no Neymar que ele resolve” e não pode ser assim todos tem que assumir sua responsabilidade e outra coisa teve muito jogador que ficou devendo e não mais convocaria, o modo do Dunga de faze-los jogar irrita e muita bolinha pra trás, para mim o melhor defesa é o ataque e outra coisa nosso meio de campo muito fraco oElis pode ser muito bom no time dele mais na seleção ficou devendo oFernandinho também só botinadaa zagasó o Miranda se salvou o Thiago fez a um penalty igual jogando pelo time dele e muito cara de pau ele bater na bola e não lembrar ( deveria ser mais homem e assumir).Agora o problema do tecnico é que já estamos encima das eliminatórias ai é dificil começar deveria ter mudado antes.

  • NETUNO

    Essa seleçãozinha 7.1 tem que agradecer ao Paraguaia pela eliminação nos penaltis, senão estariam amargando mais mais um vexame histórico contra os hermanos. Se não acontecer uma reformulação geral nessa CBF, pela 1ª vez vamos ficar fora de uma Copa em 2018, pois essa seleçãozinha não impõe mais respeito e mêdo em ninguém mais. Só ganha amistoso contra cachorros mortos, quando não vale nada.

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